Afeganistão/Negociações de paz

Chefe dos talibãs diz que negociação de paz é "legítima"

Suposta foto do mullah Omar
Suposta foto do mullah Omar Wikipedia/Unknown

O líder dos talibãs no Afeganistão, o mulá Omar, chamou de "legítimas" as negociações de paz com seu inimigo, o governo afegão. Na mensagem publicada nesta quarta-feira na internet, o chefe do movimento não cita diretamente o processo de paz, mas afirma que, "paralelamente à jihad armada, os esforços políticos e a via pacífica constituem um princípio islâmico legítimo".

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Essa é a primeira reação do Mulá Omar às negociações para encerrar a violenta insurreição que varre o país desde a queda do regime dos talibãs, em 2001. O comunicado foi divulgado no dia do Aid el-Fitr, festa que marca o fim do ramadan, mês sagrado dos muçulmanos.

As conversas causaram grande surpresa, principalmente porque nos últimos meses, os rebeldes multiplicaram as ações armadas e as exigências de uma retirada total das forças da Otan, que auxiliam o exército afegão. ONU e potências ocidentais saudaram a abertura do diálogo.

A próxima reunião deve acontecer em breve, mas o chefe do executivo afegão, Abdullah Abdullah, disse ignorar a data e o local.

Grupo Estado Islâmico

Na semana passada, quando aconteceu a primeira rodada de discussões no Paquistão, diversos combatentes questionaram abertamente a legitimidade do processo - e alguns chegaram a abandonar o movimento para se unir ao grupo Estado Islâmico.

Sempre ágil em sua estratégia de comunicação, a organização jihadista publicou um editorial em sua revista de propaganda, Dabiq, conclamando todos os combatentes da região a se submeter à autoridade de seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi. O texto acusa o mulá Omar de ser um líder nacionalista, que quer controlar o Afeganistão, recusando a proclamação de um "califado" global.

Pela retórica do EI, Omar não poderia se proclamar califa por não ser membro dos Qureshi, tribo árabe do profeta Maomé. Abu Bakr alega ter essa descendência.

Líder incógnito

Embora o paradeiro do mulá Omar seja desconhecido, suspeita-se que ele viveria clandestinamente no Paquistão. Como ele não faz aparições públicas, são frequentes os boatos sobre sua morte. Esses rumores voltaram a aparecer nesta semana, por conta do longo tempo que ele demorou para se pronunciar sobre a possível deposição das armas.

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