Grupo Estado Islâmico/Iraque

Atentado do grupo Estado Islâmico no Iraque deixa ao menos 115 mortos

Explosão abriu uma imensa cratera no mercado da cidade de Khan Bani Saad, no Iraque, nesta sexta-feira (17).
Explosão abriu uma imensa cratera no mercado da cidade de Khan Bani Saad, no Iraque, nesta sexta-feira (17). AFP/AHMAD AL-RUBAYE

Um violento atentado suicida com carro-bomba, realizado pelo grupo Estado Islâmico em um mercado da cidade iraquiana de Khan Bani Saad, nesta sexta-feira (17), deixou ao menos 115 mortos e mais de cem feridos. As equipes de resgate trabalham neste sábado no resgate de corpos de vítimas dos escombros do ataque que está sendo considerado como um dos mais mortais dos extremistas na região.

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A população da cidade, predominantemente xiita e localizada 20 quilomêtros ao norte de Bagdá, relata um cenário de horror no dia seguinte ao ataque, que fez entre as vítimas 15 crianças. "Pessoas morreram queimadas dentro de seus carros porque nenhuma ambulância ou carro de bombeiro conseguia chegar até o local", relatou Muthanna Saadoun, um motorista de 25 anos que ajudou a apagar os incêndios provocados pela explosão.

O atentado foi realizado no momento em que o Iraque celebra a festa do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, mês sagrado dos muçulmanos. Segundo testemunhas e autoridades da cidade, o carro explodiu em um posto de controle na entrada do mercado. O Estado Islâmico reivindicou a autoria do ataque em fóruns jihadistas na internet, afirmando que o carro-bomba continha três toneladas de explosivos.

A explosão causou danos em vários edifícios e abriu uma enorme cratera de cinco metros de largura e dois metros de profundidade na rua. Horas depois do ataque, uma escavadeira do exército iraquiano limpava os escombros, enquanto alguns edifícios continuavam em chamas.

Cancelamento do Eid al-Fitr

O governador da província de Diyala, onde está localizada a cidade de Khan Bani Saad, anunciou luto de três dias na província e o cancelamento das festividades do Eid al-Fitr.

Os muçulmanos sunitas começaram a celebrar o Eid al-Fitr na sexta-feira, mas a comunidade xiita, majoritária no Iraque, o festeja neste sábado. Os mercados costumam receber um grande número de pessoas na véspera de festas, quando as famílias compram roupas e comida.

Nesta manhã, vários carros deixavam a cidade, com caixões no teto, para enterrar algumas das vítimas na cidade sagrada xiita de Najaf. "Não haverá Eid. Ninguém celebrará a festa", lamentou Hussein Yassin Khidayyer, um comerciante de 45 anos, que sobreviveu à explosão.

Xiitas são frequentemente alvo de ataques

O EI afirmou em sua reivindicação ter alvejado milícias xiitas, uma afirmação recorrente, mesmo quando os ataques matam civis em sua grande maioria.

"O número de vítimas ultrapassa cem mortos e 120 feridos. Há entre 17 e 20 desaparecidos", informou Abbas Hadi Saleh, principal autoridade da cidade de Khan Bani Saad. "Todos os anos (durante o Ramadã), há um ataque a bomba. Nos criticam por sermos xiitas", lamentou Saleh.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, condenou o ataque, classificando-o de "crime desprezível" do grupo Estado Islâmico. Ele também garantiu estar "determinado a caçar em todos os cantos do país até o último jihadista".

O governo declarou em janeiro que Diyala estava "libertada" dos jihadistas. Em junho de 2014, eles haviam tomado várias cidades dessa província durante uma ofensiva relâmpago. Embora não tenham mais posições fixas, os extremistas continuam a realizar ataques suicidas com carros-bomba no local.

As forças iraquianas estão atualmente envolvidas em uma ofensiva contra os jihadistas na província de Al-Anbar, apertando o cerco em torno das duas principais cidades da imensa província de maioria sunita, Ramadi e Fallujah.

(Com informações da AFP)

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