EUA/Israel

Secretário de Defesa americano tenta acalmar premiê de Israel sobre acordo iraniano

Ashton Carter e Benjamin Netanyahu se encontraram nesta terça-feira em Jerusalém.
Ashton Carter e Benjamin Netanyahu se encontraram nesta terça-feira em Jerusalém. REUTERS/Carolyn Kaster/Pool

O secretário americano de Defesa, Ashton Carter, se reuniu nesta terça-feira (21) em Jerusalém com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para tentar acalmar as inquietações de Israel sobre o acordo nuclear pactado com o Irã. Os dois homens se cumprimentaram com um longo aperto de mãos antes de iniciar as negociações, sem fazer nenhuma declaração.

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O encontro ocorreu no último dia da visita de Carter a Israel, primeira etapa de um giro regional destinado a tranquilizar os aliados dos Estados Unidos na região, muitos deles inquietos pelo acordo assinado com o Irã. No dia 14 de julho, Teerã aceitou desmantelar a maioria de suas instalações nucleares, em troca de um levantamento progressivo e reversível das sanções internacionais que asfixiam sua economia.

Em Israel, o acordo, que Netanyahu condena firmemente, gerou muitas críticas. Para tentar acalmar seu aliado, Carter indicou na segunda-feira que os Estados Unidos estavam dispostos a reforçar sua cooperação militar com Israel, citando especialmente a defesa antimísseis ou a segurança informática, durante um encontro com seu colega israelense, Moshé Yaalon. Também declarou que Israel continua sendo "a pedra angular" da política americana no Oriente Médio.

Netanyahu, por sua vez, pediu aos representantes do Congresso americano que rejeitem o acordo, que deverá ser submetido a votação no fim de setembro.

Diplomacia iraniana

O chefe da diplomacia iraniana, Mohamad Javad Zarif, defendeu nesta terça-feira (21) diante do parlamento de seu país o acordo nuclear acertado com as grandes potências, classificando o texto de "equilibrado". "Não deveríamos esquecer que todo acordo é uma negociação e que cada uma das partes abre mão de algumas de suas exigências para obter as que considera mais importantes, até que o acordo fique equilibrado", explicou Zarif.

Sua intervenção ante os deputados acontece um dia depois da autorização dada pelo Conselho de Segurança da ONU ao acordo concluído há uma semana em Viena entre o Irã e os cinco membros permanentes do Conselho (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França) mais a Alemanha.

Segundo Zarif, "os objetivos-chave do Irã" foram alcançados". "As exigências das grandes potências eram para impedir que o Irã se dotasse de arma nuclear mediante limitações e controles. O que obtiveram, já existia", destacou. "O maior êxito iraniano nas negociações foi obter o direito de continuar enriquecendo urânio para fins civis", acrescentou.

Apesar de o parlamento ser dominado por deputados conservadores e, em muitos casos, contrários ao acordo, o aval dado pelo guia supremo Ali Khamenei deve garantir o sim automático dos parlamentares.

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