Afeganistão/Talibã

Talibã nega acordo de paz e não comenta suposta morte do mulá Omar

O mulá Omar, chefe espiritual dos Talibãs, cercado por suas tropas, em 1996.
O mulá Omar, chefe espiritual dos Talibãs, cercado por suas tropas, em 1996. AFP PHOTO / BBC TV / BBC NEWSNIGHT / FILES

Líderes da organização terrorista Talibã se manifestaram na madrugada desta quinta-feira (30) pela primeira vez desde que as autoridades do Afeganistão anunciaram, na quarta-feira (29), a morte do chefe espiritual do grupo, mulá Omar. Mas os extremistas não comentaram a suposta morte de seu líder.

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No comunicado, o grupo apenas negou que esteja negociando qualquer cessar-fogo ou acordo de paz com o governo afegão, como vem sendo divulgado pela imprensa local nos últimos dias. Os serviços de informação do Afeganistão e do Paquistão garantem que, desta vez, é verdadeira a notícia da morte do mulá Omar, que foi dado como morto várias vezes nos últimos anos, sempre sem confirmação.

Embora tenha sido caçado pelos norte-americanos por 14 anos, o líder teria sido vítima de uma doença e morrido em um hospital paquistanês, em 2013. O mulá Omar ficou conhecido pelo regime de horror que instaurou no Afeganistão quando governou o país, entre 1996 e 2001.

Movimento rachado

Se confirmada, a morte do mulá Omar pode constituir um duro golpe para a insurgência talibã, atingida por divisões internas e ameaçada pelo crescimento do grupo Estado Islâmico (EI). Os talibãs estão divididos entre a nova geração de comandantes que dirigem a guerra no país e os líderes anteriores refugiados no exterior desde 2001.

Também existem divergências entre os líderes no exterior. De um lado os comandantes presentes no Paquistão e, de outro, o burô político exilado no Catar, que acusa os primeiros de estar dirigidos pelo governo paquistanês. Por sua vez, os talibãs registraram nos últimos meses deserções de militantes atraídos pelo grupo Estado Islâmico.

 

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