Terrorismo

Novo líder talibã, mulá Mansur terá de enfrentar concorrência do grupo Estado Islâmico

Um combatente talibã.
Um combatente talibã. AFP PHOTO/ Aref Karimi

O mulá Akhtar Mansur, que assumiu o cargo de novo líder dos talibãs nesta semana, após a morte do líder espiritual do grupo, o mulá Omar, terá como missão não apenas manter o enfrentamento ao governo do Afeganistão, mas também evitar a deserção de seus jihadistas. Desde ascensão do grupo Estado Islâmico (EI), muitos de seus combatentes têm se juntado às fileiras dos extremistas que atuam na Síria.

Publicidade

Os tempos estão mudando para o Talibã. Outrora símbolo do terrorismo internacional – o grupo ofereceu refúgio a Osama Bin Laden nos pós-11 de Setembro –, os extremistas afegãos sofrem com a concorrência da emergente organização Estado Islâmico.

Com práticas e métodos ainda mais violentos e bárbaros, o grupo Estado Islâmico está atraindo cada vez mais jihadistas, especialmente entre os jovens talibãs, alguns decepcionados com a direção do movimento. O Talibã, que governou com mão de ferro o Afeganistão entre 1996 e 2001 – período de horrores marcado por repressão contra a população e destruição das famosas estátuas dos budas –, sofre com o apoio internacional ao governo de Kabul, que obtém relativo sucesso em manter o grupo restrito a combates no sul do país.

Em uma mensagem publicada em junho, o mulá Mansur alertou o líder do EI, Abu Bakr al Bagdadi, que os talibãs responderiam a qualquer tentativa dos jihadistas de se implantar em solo afegão.

Quem é mulá Mansur

É neste contexto que ascende ao moder o mulá Mansur. Ele era o sucessor natural de mulá Omar, por suas origens pashtuns e sua trajetória, apesar de ser mais pragmático e, aparentemente, mais moderado. As origens dos dois líderes se cruzam. Eles nasceram no início dos anos 1960 na província de Kandahar, no coração do país pashtun e origem da rebelião talibã que governou o Afeganistão no final do século 20.

Como o mulá Omar, que fugia das câmeras, das entrevistas e aparições públicas, seu sucessor aparece em poucas fotos. Em algumas, é possível ver um homem com uma vasta barba negra e um turbante na cabeça. O mulá Mansur passou grande parte de sua juventude no Paquistão, como milhares de afegãos que fugiam da guerra. Ao longo do tempo, o novo líder talibã estabeleceu vínculos com os serviços secretos paquistaneses, aos quais Cabul acusa regularmente de ter criado e alimentado a insurreição talibã.

Em meados dos anos 90, quando os talibãs controlavam a maior parte do país, virou ministro da Aviação Civil no governo dos islamitas. Apesar de ser considerado próximo ao mulá Omar, não possui a aura religiosa do líder falecido, designado "emir dos fiéis" em 1996 depois de sua nomeação como líder, o que conferia uma legitimidade maior entre os combatentes.

No entanto, o mulá Mansur soube transitar entre os diferentes setores que compõem o movimento talibã: a "shura de Quetta", a direção dos talibãs no Paquistão, os talibãs instalados no Catar e os comandantes no Afeganistão. E conseguiu, inclusive, passar à frente do mulá Yaqub, um dos filhos de Omar, que, para muitos, era o favorito para suceder a seu pai, apesar de ter apenas 26 anos.

"O mulá Mohamad Akhtar Mansur dirige de fato os talibãs desde 2013. É considerado próximo ao Paquistão e favorável às negociações de paz com Cabul", declarou à AFP um dirigente de médio escalão antes de ser divulgada a nomeação.

(Com informações da AFP)
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.