Grupo Estado Islâmico destrói templo de 2.000 anos na cidade síria de Palmira

O templo de Baalshamin, em Palmira, em imagem de março de 2014, foi destruído pelo EI.
O templo de Baalshamin, em Palmira, em imagem de março de 2014, foi destruído pelo EI. AFP PHOTO/JOSEPH EID

Os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) destruíram um dos mais famosos templos da cidade síria de Palmira, aumentando ainda mais os temores internacionais de uma destruição deste local declarado patrimônio da Humanidade.

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A última destruição do EI anunciada no domingo (23) foi a do templo de Baalshamin, o mais importante depois de Bel, segundo o Museu do Louvre de Paris. O templo começou a ser construído no ano 17 e que foi decorado pelo imperador romano Adriano no ano 130.

O oásis de Palmira abriga as ruínas monumentais de uma grande cidade que foi um dos mais importantes focos culturais do mundo antigo. "Nossas previsões mais sombrias infelizmente estão se cumprindo", lamentou Maamun Abdelkarim, diretor-geral de Antiguidades e de Museus da Síria, ao anunciar a destruição do monumento.

Depois de ter conquistado Palmira em maio, os jihadistas "realizaram execuções no teatro antigo, destruíram em julho a famosa estátua do Leão de Atena (...) e transformaram o museu em tribunal e em prisão. Também assassinaram o ex-diretor das Antiguidades da cidade", contou.

Há menos de uma semana, o grupo extremista decapitou o diretor Khaled al-Assad, de 82 anos, homem de fama mundial por seus conhecimentos sobre este lugar único. "Os habitantes da cidade me disseram que o grupo EI despedaçou o corpo do meu pai depois de tê-lo pendurado em um poste durante um dia", declarou à AFP Mohamad, filho de Khaled al-Asaad. "Meu pai repetia com frequência 'morrerei de pé, como as palmeiras de Palmira'", relatou.

Crime de guerra

A Unesco, por sua vez, considerou que a destruição do templo é um crime de guerra e uma perda imensa para a humanidade, declarou nesta segunda-feira a diretora-geral da instituição, Irina Bokova. "Convoco a comunidade internacional a permanecer unida contra esta limpeza cultural recorrente", disse Bokova em um comunicado. No dia 3 de julho, a Unesco já havia protestado contra a destruição de obras de arte de Palmira.

"A destruição de bustos funerários procedentes de Palmira, na praça pública, diante de muita gente e crianças convocadas ao saque de seu patrimônio é um espetáculo de uma perversidade arrepiante", havia declarado Bokova.

Os jihadistas, que controlam grandes porções de territórios iraquiano e sírio, destruíram em abril no Iraque com escavadeiras, picaretas e explosivos o sítio arqueológico de Nimrud, joia do império assírio fundada no século XIII.
Fizeram o mesmo com Hatra, uma cidade do período romano de 2.000 anos, e com o museu de Mossul, no norte do Iraque.

Mais de 300 sítios históricos sírios foram danificados, destruídos ou saqueados durante o conflito, que começou há mais de quatro anos, segundo a ONU.

Por sua vez, em outros locais da Síria, país devastado pela guerra há quatro anos, os combates e bombardeios entre o regime, rebeldes, jihadistas e curdos seguem deixando dezenas de mortos diariamente.

"Bárbaros"

O grupo Estado Islâmico considera as obras religiosas pré-islâmicas, em especial as estátuas, como idolatria. Por isso destruiu várias joias arqueológicas no Iraque, gerando reações de horror na Unesco e na comunidade internacional.

Depois de tomar das forças do regime sírio o controle de Palmira, o EI executou mais de 200 pessoas no interior e exterior da cidade, 20 delas no teatro antigo.

França e Estados Unidos denunciaram um assassinato brutal lançado por bárbaros.

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