Turquia/Rússia

Turquia acusa Rússia de violar seu espaço aéreo e ameaça retaliação

Foto de arquivo de um caça F-16 turco, saindo da base de Incirlik.
Foto de arquivo de um caça F-16 turco, saindo da base de Incirlik. REUTERS/Murad Sezer

As operações aéreas da Rússia na Síria provocaram nesta segunda-feira (5) protestos por parte do governo turco. Ancara reclama que um avião russo violou no último sábado (3) seu espaço aéreo e ameaça represálias, caso episódios como esse se repitam. O incidente levou o presidente Recep Tayyp Erdogan a convocar o embaixador russo na Turquia para prestar esclarecimentos.

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Há dois dias, segundo um comunicado emitido hoje por Ancara, um avião de combate russo entrou no espaço aéreo turco, na fronteira com a Síria. Logo que foi detectada a invasão, dois caças F-16 turcos foram acionados para afastar as aeronaves russas. O documento também informa que, momentos após o incidente, a Turquia convocou o embaixador russo no país para pedir o cancelamento de qualquer incursão da Rússia no espaço aéreo turco.

De acordo com o comunicado, o ministro turco das Relações Exteriores, Feridun Siniroglu, conversou com seu homólogo russo, Serguei Lavrov, a quem alertou que "Moscou será responsável por qualquer incidente não desejável que possa acontecer" entre os dois países.

Ameaça de represálias

O correspondente da RFI em Istambul, Jérôme Bastion, indicou que o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, preveniu, por meio de uma mensagem na televisão que "todos aqueles, amigos ou inimigos, que violarem o espaço aéreo turco serão repreendidos antes de serem expostos a represálias". O premiê também declarou que "ninguém tem interesse em estar ao lado de um ditador que massacra seu povo".

Jens Stoltenberg, o secretário-geral da Otan - da qual a Turquia faz parte - também denunciou hoje "violações inaceitáveis do espaço aéreo turco por aviões de combate russos". "Peço à Rússia que respeite plenamente o espaço aéreo da Otan e evite uma escalada de tensões com a Aliança", declarou em um comunicado, no qual anunciou a convocação de uma reunião de urgência dos 28 países da Otan nesta noite.

Divergências entre Rússia e Turquia

Desde o início da guerra na Síria, em 2011, a Turquia e a Rússia divergem sobre a questão. Ancara defende a saída do presidente Bashar al-Assad, que tem pleno apoio de Moscou. Além disso, a Turquia se opõe aos bombardeios russos na Síria iniciados na semana passada, supostamente para combater o grupo Estado islâmico. Erdogan, que faz atualmente campanha para as eleições legislativas antecipadas turcas em cidades europeias, disse ontem no Parlamento Europeu que a intervenção russa na Síria é inaceitável.

Nesta segunda-feira, a Rússia anunciou ter feito novos bombardeios aéreos contra os jihadistas em território sírio. De acordo com o ministério russo da Defesa, aviões realizaram 25 ataques nas últimas 24 horas e destruíram um posto de comando do grupo Estado Islâmico na província de Hama, depósitos de munições e um centro de comunicação dos extremistas em Homs. No entanto, vários países ocidentais acusam a Rússia de concentrar seus ataques contra os grupos opositores a Al-Assad.

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