Turquia/Atentado

Erdogan visita local de atentado que matou 97 em Ancara

Ao lado do presidente finlandês, Sauli Niinisto (2°, da dir. para esq.), Erdogan deposita flor para vítimas do ataque
Ao lado do presidente finlandês, Sauli Niinisto (2°, da dir. para esq.), Erdogan deposita flor para vítimas do ataque REUTERS/Stringer

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, visitou nesta quarta-feira (14) o local onde aconteceu o duplo atentado que matou 97 participantes de uma passeata pela paz, no última sábado. Ao lado do chefe finlandês Sauli Niinisto, em visita oficial ao país, Erdogan depositou flores diante da estação de trem de Ancara, onde dois kamikazes se explodiram em meio aos 10 mil manifestantes pró-curdos que denunciavam a guerra do exército turco contra o PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

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O Estado turco se prontificou em culpar o grupo Estado Islâmico pela tragédia e afastou, nesta quarta-feira, três altos funcionários da polícia por falhas de segurança. Também nesta manhã, as autoridades anunciaram a prisão de duas pessoas próximas ao PKK, que teriam trocado informações sobre o ataque pelo Twitter, nove horas antes da ação dos homens-bomba.

Mas a oposição responsabiliza o próprio Erdogan pela falta de segurança e o acusa, inclusive, de estimular os ataques contra os curdos. Desde que perdeu a maioria no Parlamento para a sigla pró-curda HDP e viu afundar seu projeto de proclamar o presidencialismo no país, o chefe de Estado trava uma guerra política contra a esquerda, numa tentativa de reconstruir sua base parlamentar nas eleições antecipadas do dia 1° de novembro. O mais recente episódio neste sentido foi o fechamento de sete canais de televisão opositores, na véspera do atentado de Ancara.

Turquia convoca embaixadores russo e americano

No plano diplomático, o governo turco advertiu os embaixadores da Rússia e dos Estados Unidos contra o envio de armas às milícias curdas que combatem o grupo Estado Islâmico na Síria. De acordo com uma fonte do ministério das Relações Exteriores da Turquia entrevistada pela AFP, as autoridades do país "informaram sua posição em relação ao Partido da União Democrática (PYD)", que enfrenta o grupo Estado Islâmico na Síria.

Ancara considera que o PYD é um partido irmão do PKK, classificado como terrorista pela Turquia, pelos EUA e pela União Europeia. "A Turquia não pode tolerar nenhuma cooperação com organizações terroristas", afirmou o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu à imprensa nesta quarta-feira. Mas foram a milícia curda YPG e a brigada feminina YPJ, ambas ligadas ao PYD, que conseguiram as maiores vitórias contra os jihadistas. A  retomada de Kobani e, com o auxílio da força aérea norte-americana, a expulsão dos ultrarradicais de Tall Abyad, na fronteira com a Turquia.

Já o enviado especial do Kremlin para o Oriente Médio, Mikhail Bodganov, esteve na semana passada com o chefe do PYD Salih Muslim para discutir uma cooperação material na luta contra o grupo Estado Islâmico. "Assim como os Estados Unidos e seus aliados combatem os grupos afiliados à Al-Qaeda, a Turquia está determinada em combater o PKK e seus afiliados. Assim como os Estados Unidos e seus aliados não toleram o envio de armas à Al-Qaeda e seus afiliados, a Turquia não tolera as que são entregues ao PKK e seus afiliados", simplificou Davutoglu.

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