Israel/Palestina

Ban Ki-moon tenta frear violência entre Israel e Palestina, mas esbarra na polarização

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, durante sua visita à Jerusalém, pediu aos dirigentes israelenses e palestinos que ajam rápido para deter uma "perigosa escalada da violência".
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, durante sua visita à Jerusalém, pediu aos dirigentes israelenses e palestinos que ajam rápido para deter uma "perigosa escalada da violência". U.N. Secretary-General Ban Ki-moon speaks during a joint stateme

No segundo dia de sua visita surpresa ao Oriente Médio, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se reuniu com o presidente palestino Mahmoud Abbas, nesta quarta-feira (21) em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, e pôde constatar o grau da polarização entre israelenses e palestinos. Nas palavras de Ban, a região está à beira de uma catástrofe. O secretário geral não apresentou nenhuma proposta concreta para frear a violência, mas afirmou que a solução para a crise passa por "diálogos significativos".

Publicidade

Logo depois do encontro com o secretário geral da ONU, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, exigiu que Israel respeite as regras que regem, desde 1967, a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, epicentro da violência iniciada em 1° de outubro. De acordo com esse acordo tácito, os judeus podem visitar o local, terceiro mais sagrado para o Islã e primeiro para o judaísmo, mas só os muçulmanos podem rezar ali.

Os palestinos denunciam o aumento das visitas como uma tentativa de Israel de se apoderar do lugar, chamado pelos hebreus de Monte do Templo. "A continuidade das agressões contra (a mesquita) Al-Aqsa abre as portas de um conflito religioso que, infelizmente, já começou", afirmou Abbas.

Ban Ki-moon pediu ao presidente palestino, mas também ao premiê israelense, Benjamin Netanyahu, o fim urgente da espiral de violência na região. "Continuamos a apoiar todos os esforços necessários para criar condições concretas de negociação, mas depende dos palestinos e israelenses escolherem a paz", afirmou, completando que "o desafio mais urgente é deter a onda de violência".

Intransigência

Ban condenou as declarações de apoio do Hamas e da Jihad Islâmica aos atentados e alertou para o uso excessivo de força do lado de Israel, que tem executado sumariamente os autores de ataques. Mas na coletiva de imprensa concedida ao lado de Ban Ki-moon, o primeiro ministro israelense descartou essa acusação, repetindo que Israel tem o direito de "defender seus cidadãos". O secretário geral da ONU acredita que a "única maneira de pôr fim à violência é o progresso real e visível em direção a uma solução política, incluindo o fim da ocupação".

Neste sentido, Benjamin Netanyahu fechou o espaço para a negociação, ao afirmar que "as causas do terrorismo palestino" não são "a colonização ou o processo de paz, mas o desejo puro e simples de destruir o Estado de Israel". Nesta semana, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, também deve se reunir com os dois lados.

Do lado palestino, mesmo o moderado Mahmoud Abbas, disse que seu povo não pode dar a outra face às armas e à violência do exército israelense.

Violência contínua

Enquanto isso, a tensão continua. Hoje, o exército israelense baleou uma adolescente palestina de 15 anos, que teria tentado cometer um novo ataque a faca. Ela foi hospitalizada sem gravidade. Na terça-feira, quatro palestinos foram mortos depois de ataques, em que quatro israelenses ficaram feridos.

Desde o início do conflito, já morreram oito israelenses, um árabe israelense e 47 palestinos - 22 deles, acusados de atentados. Um eritreu também foi abatido por engano pelo exército de Israel.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.