Esplanada das Mesquitas/Israel

Palestinos exigem que Israel respeite o "status quo" na Esplanada das Mesquitas

Milhares de pessoas participaram de manifestação em Tel Aviv neste sábado (24) para pedir a paz entre israelenses e palestinos.
Milhares de pessoas participaram de manifestação em Tel Aviv neste sábado (24) para pedir a paz entre israelenses e palestinos. REUTERS/Baz Ratner

Líderes palestinos exigem neste domingo (25) que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tome decisões concretas para a retomada da paz em Israel, entre elas o respeito do "status quo" na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém oriental. "Não julgamos as promessas, mas os atos", declarou nesta manhã um dos líderes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erakat.

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"As declarações de Netanyahu são apenas palavras, não atos concretos. Hoje mesmo os colonos israelenses queimaram um carro em Jerusalém", disse, depois que um veículo pertencente a um palestino foi incendidado neste domingo e coberto por pichações típicas dos judeus extremistas.

Outra personalidade palestina, Nabil Chaath, do partido Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, também exigiu medidas concretas da parte do premiê israelense. "Netanyahu joga com a definição que tem do 'status quo'. Para nós, o status quo é o instaurado em 1967 e que foi mantido até 2000", declarou.

Em meio à onda de violência que pode levar a uma Terceira Intifada, neste sábado (24), Netanyahu prometeu não permitir as orações que não sejam muçulmanas na Esplanada das Mesquitas. "Israel ratifica seu compromisso de manter o 'status quo' do Monte do Templo, em palavras e na prática", de acordo com um comunicado.

"Status quo"

O "status quo" são regras estabelecidas em 1967 para a Esplanada das Mesquitas, local sagrado dos judeus e palestinos, cujo acesso é controlado por Israel, embora seja administrada por uma fundação islâmica e esteja sob a a coordenação da Jordânia.

Os judeus têm autorização de entrar no local apenas em determinados horários, mas não podem rezar, assim como qualquer não-muçulmano. Já os muçulmanos não teriam restrições na Esplanada, mas sofrem com o desrespeito das regras por parte de Israel.

Os palestinos reclamam que, devido a diversas visitas de ministros e deputados israelenses ao local nos últimos anos, a Esplanada teve que ser esvaziada, impedindo os muçulmanos de a frequentarem em determinados momentos. Tanto palestinos quanto jordanianos acusam Tel Aviv de querer mudar as regras do local, o que Israel nega.

A questão é o principal motivo da visita do secretário de Estado americano, John Kerry, à Amã. Neste sábado (24), ele anunciou um acordo entre Jordânia e Israel sobre novas medidas de segurança na Esplanada das Mesquitas. A propostas, segundo Kerry, teriam sido feitas pelo rei Abdullah e incluiriam a videovigilância do local durante 24 horas, diariamente. De acordo com Kerry, Netanyahu estaria de acordo com a ideia.

Onda de violência

Ontem, pouco antes do início do encontro entre Kerry e o rei Abdullah, um palestino foi morto a tiros por um segurança israelense em um posto de controle entre o norte da Cisjordânia e Israel. Segundo a polícia israelense, ele teria tentado esfaquear o segurança.

Hoje, um israelense foi ferido na Cisjordânia ocupada por um palestino que o agrediu com uma faca e conseguiu fugir, de acordo com o exército de Israel. O israelense teria sido apedrejado e depois ferido com uma facada.

Esse é o último episódio de uma longa série de ataques, a maioria com armas brancas, cometidos por palestinos isolados contra soldados, policiais ou civis israelenses desde 1º de outubro passado. A maioria dos supostos agressores são mortos a tiros pelas forças de segurança israelenses. Desde o início da onda de violências em Israel, 52 palestinos e 9 israelenses foram mortos.

Manifestação

Ontem, milhares de israelenses se manifestaram em Tel Aviv, pedindo a retomada das negociações com os palestinos, por ocasião do 20º aniversário do assassinato do então premiê Yitzhak Rabin, uma figura simbólica dos esforços pela paz no Oriente Médio. A organização A Paz Agora e outros grupos favoráveis a uma solução "com dois Estados" convocaram a mobilização, no momento em que as perspectivas de um acordo em um dos mais antigos conflitos no mundo estão cada vez mais distantes.

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