Egito/Acidente

Militar diz ter ouvido gritos em meio aos destroços do avião russo que caiu no Egito

Familiares de vítimas do acidente aguradam informações no aeroporto de São Petersburgo, na Rússia.
Familiares de vítimas do acidente aguradam informações no aeroporto de São Petersburgo, na Rússia. REUTERS/Peter Kovalev

As autoridades egípcias localizaram os destroços de um avião fretado russo que caiu neste sábado (31) com 224 pessoas a bordo em uma zona montanhosa na região do Sinai, no Egito. Militares egípcios que chegaram ao local da tragédia dizem ter ouvido vozes de ocupantes feridos em meio aos destroços do avião. A aeronave foi dividida ao meio e está quase totalmente destruída.

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O avião, um Airbus A321 da companhia siberiana Kogalymavia, mais conhecida como Metrojet, transportava principalmente turistas russos. A aeronave decolou do aeroporto de Charm el-Cheikh, no Egito, às 5h51 no horário local, com destino a São Petersburgo, na Rússia, e desapareceu dos radares 23 minutos após a decolagem. As autoridades da aviação civil perderam contato com o aparelho quando ele voava a uma altitude de 9.144 metros.

O Airbus transportava 200 adultos, 17 crianças e sete tripulantes. Segundo o primeiro-ministro egípcio, Chérif Ismail, cerca de 50 ambulâncias foram enviadas ao local para resgatar os feridos e retirar os mortos.

Cerca de cem corpos foram retirados em meio aos destroços. Entre as primeiras vítimas fatais resgatadas havia cinco crianças.

O presidente russo, Vladimir Putin, informou que enviará reforços ao local para ajudar nas operações de resgate. Putin decretou dia de luto nacional neste domingo, na Rússia, em homenagem às vítimas da tragédia.

Caixa-preta encontrada

No final da manhã, as autoridades encontraram uma das duas caixas-pretas do avião, a que contém os dados do voo.

O piloto teria pedido uma mudança de rota para realizar um pouso de emergência, mas esta informação não foi oficialmente confirmada.

Região é reduto de jihadistas

As causas do acidente ainda são desconhecidas. O primeiro-ministro do Egito afirma que, até o momento, nenhum indício aponta para a hipótese de um atentado terrorista. Porém, o recente envolvimento da Rússia na guerra da Síria e o fato de a região do Sinai abrigar grupos terroristas geraram rumores de atentado.

A área em que o avião caiu, no norte da península do Sinai, é um reduto do braço egípcio da organização jihadista Estado Islâmico. Os rebeldes radicais já realizaram vários ataques contra as forças de segurança egípcias nessa área. No entanto, para derrubar um avião a 9 mil metros de altitude seria necessário utilizar um  foguete ou míssel de longo alcance, uma hipótese considerada pouco provável pelos especialistas que estudam os grupos terroristas da região.

Apesar da instabilidade política no Egito e dos ataques jihadistas visando principalmente integrantes do Exército no norte do Sinai, os balneários do Mar Vermelho, no sul da península, continuam muito procurados pelos turistas.

Em janeiro de 2004, a queda de um Boeing 737 da companhia egípcia Flash Airlines deixou 148 mortos, a maioria turistas franceses. O avião caiu no Mar Vermelho logo após a decolagem do aeroporto de Charm el-Cheikh.

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