Mianmar/Eleições

Executivo birmanês felicita partido de Suu Kyi por maioria parlamentar

A imagem de Aung San Suu Kyi projetada em uma tela na sede de seu partido, na capital Rangun
A imagem de Aung San Suu Kyi projetada em uma tela na sede de seu partido, na capital Rangun AFP/AFP

Ainda que o resultado oficial das eleições em Mianmar não tenha sido divulgado, o chefe do exército birmanês cumprimentou hoje a Liga Nacional pela Democracia, partido da opositora Aung San Suu Kyi, pela conquista da maioria parlamentar. Pouco antes, o ministro da Informação havia anunciado que o governo aceitará o resultado das eleições e transferirá o poder pacificamente, ao contrário do que aconteceu em 1990, quando o governo militar perdeu a maioria, também para a LND, mas simplesmente anulou o pleito.

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Do lado da oposição, o discurso também é de reconciliação. Hoje, Aung San Suu Kyi pediu a abertura do diálogo com o presidente Thein Sein e com o Estado maior do exército, herdeiros políticos da junta que a manteve em prisão domiciliar por mais de 15 anos.

"Saudamos a Liga Nacional para a Democracia (LND) pela maioria obtida nas eleições", declarou o general Min Aung Hlaing em um comunicado. "Como governo, nos submetemos à decisão dos eleitores e transferiremos o poder pacificamente", tinha anunciado mais cedo, também nesta quarta-feira, o ministro da Informação, Ye Htu.

"A Liga Nacional para a Democracia (LND) venceu em vários lugares, parabéns por isso", acrescentou o comunicado, que também aventou a possibilidade do diálogo evocado por Suu Kyi. "Os cidadãos expressaram sua vontade nas eleições", escreveu a opositora em carta destinada a Min Aung Hlaing, ao presidente Thein Sein e ao influente presidente do Parlamento, Shwe Mann. Sein, general reformado da Junta auto-dissolvida em 2011, respondeu, oferecendo-lhe uma "reunião bilateral quando terminar o processo eleitoral".

Resultados lentos

Os resultados da votação de domingo têm sido divulgados a conta-gotas, mas a vantagem da LND é evidente. O partido já garantiu 179 cadeiras na câmara baixa do Parlamento contra 17 da USDP, o partido no poder, ligado aos militares que governaram o país por mais de quatro décadas. Na câmara alta, que equivaleria ao Senado, são 77 cadeiras para a oposição contra quatro da situação. Ou seja, uma transição está a caminho.

Aung San Suu Kyi, vencedora do do prêmio Nobel da Paz e principal figura política do país seria a escolha óbvia para a presidência, mas não pode assumir o cargo porque a Constituição proíbe que o chefe de Estado tenha filhos estrangeiros. Essa restrição foi feita sob medida para a opositora cujos filhos nasceram no Reino Unido. Ela foi reeleita deputada pelo estado rural de Kawhmu.

Depois de décadas de poder militar e depois de domínio dos herdeiros da junta, após as reformas lançadas em 2011, a vitória da LND pode lançar uma mudança completa e inédita na vida política birmanesa. Ainda pesam, no entanto, suspeitas sobre a lentidão - possivelmente deliberada - da comissão eleitoral em um país cuja administração continua controlada amplamente por funcionários com um passado militar.

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