Cúpula de Prefeitos lança Fundo para ações climáticas e promete reduzir emissões

Cúpula Mundial das Autoridades Locais reuniu mais de 700 prefeitos de várias cidades do mundo nesta sexta-feira (4), no Le Bourget, onde está sendo realizada a COP 21.
Cúpula Mundial das Autoridades Locais reuniu mais de 700 prefeitos de várias cidades do mundo nesta sexta-feira (4), no Le Bourget, onde está sendo realizada a COP 21. REUTERS/Stephane de Sakutin

Uma nova plataforma internacional para ajudar a prefeituras de todo o mundo a desenvolver projetos e ações climáticas para facilitar o acesso a recursos e financiamentos foi lançada nesta sexta-feira (4), em Paris, durante a Cúpula Mundial das Autoridades Locais. O evento, que acontece à margem da COP 21, reuniu na prefeitura da capital francesa mais de 700 prefeitos de várias cidades do mundo, que anunciaram metas ambiciosas de cortes de emissões de poluentes.

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O Ministério de Cooperação Econômica e de Desenvolvimento do governo alemão (BMZ) doou € 3.5 millhões e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (IADB) contribuiu com € 2 milhões para dar o impulso financeiro para a criação da plataforma C40 Cities Finance Facility (Facilidade de Financiamento das Cidades do Forum C40).

A plataforma servirá para oferecer apoio técnico e também financeiro para as prefeituras reduzirem suas emissões de gazes e poderem elaborar e estruturar projetos com “qualidade ambiental”, ou seja, cumprir todas as exigências dos órgãos e instituições financiadoras para conseguirem liberação do dinheiro. A plataforma foi criada inicialmente para contemplar as cidades do Forum C40, que reúne 82 cidades comprometidas com ações de desenvolvimento sustentável. O objetivo é chegar a US$ 1 bilhão nos próximos quatro anos.

“Esse é um primeiro passo para criar uma espécie de 'fast-track' internacional para projetos comprometidos com as mudanças climáticas”, explicou o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, presidente do Forum C40. Segundo ele, a intenção é criar um mecanismo em que as cidades possam ter acesso direto a financiamentos de instituições e do Forum C40 sem ter que submeter seus projetos à aprovação dos governos centrais dos países.

O objetivo final é que um prefeito possa ter em seu projeto um “carimbo” do Forum C40 que permita à cidade buscar recursos diretamente com as instituições financiadoras, como o Banco Mundial, por exemplo, sem ter que passar pela burocracia atual.

Para Paes, a COP 21 marca uma nova etapa do maior envolvimento das cidades nas soluções climáticas. “Pela primeira vez em uma Conferência da ONU os municípios estão sendo ouvidos”, afirmou o prefeito do Rio. Sinal do prestígio alcançado pelas diversas redes de prefeituras mundiais foi a presença na Cúpula de Paris do enviado especial das Nações Unidas para as Cidades e as Mudanças Climáticas, Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York. “São passos que vão sendo dados devido à maior capacidade dos municípios de implementar as coisas com muito mais rapidez e agilidade”, afirma.

Desafios das cidades

Na abertura do encontro, o presidente francês, François Hollande, lembrou que em 2050, dois terços da população mundial vão viver em grandes centros urbanos, que já serão responsáveis por 70% das emissões de poluentes.

Segundo o chefe de Estado francês, ter acesso aos financiamentos de ações ambientais será um dos maiores desafios e os U$ 100 bilhões por ano a partir de 2020, previstos em compromissos assumidos anteriormente, talvez não sejam suficientes para permitir realizar todas as ações para limitar o aquecimento global e investir em tecnologias mais limpas.

Durante a sessão promovida pelo Forum C40 na Cúpula dos Prefeitos, várias iniciativas foram evocadas para confirmar o engajamento das cidades nos esforços ambientais. Uma delas foi a “Bus Declaration”, lançada em Buenos Aires, na qual cidades se engajam a investir em frotas de ônibus elétricos, híbridos ou de hidrogênio, que garantam baixa emissão de poluentes ou “zero carbono” . Até o momento, 26 cidades já assinaram o documento, o que sinaliza aos fabricantes a disposição de investir nos chamados “ônibus limpos”. Segundo o prefeito de Londres, Boris Johnson, a iniciativa já permitiu uma redução de 10% nos preços dos ônibus elétricos.

Metas ambiciosas

Além do reconhecimento, os prefeitos das grandes cidades querem mostrar peso nas discussões para um acordo na COP 21 e se comprometeram, na declaração final do encontro, “reduzir em 3,7 gigatoneladas as emissões anuais de gazes do efeito estufa até 2030”. O compromisso representa cerca de 30% da diferença prevista entre os engajamentos nacionais e os níveis recomendados pela comunidade científica”, afirma o documento.

Os prefeitos também se comprometeram com objetivos ambiciosos em favor do clima como a transição para energias 100% renováveis e uma redução 80% das emissões de gazes de efeito estufa até 2050.

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