Talibãs atacam cercanias de embaixada espanhola em Cabul

Policiais afegãos chegam ao local da explosão
Policiais afegãos chegam ao local da explosão REUTERS/Omar Sobhani

Insurgentes talibãs atacaram as cercanias da embaixada da Espanha em Cabul nesta sexta-feira (11), anunciaram as autoridades afegãs. Os combates, ainda em curso, foram precedidos ela explosão de um carro-bomba e por tiros no distrito diplomático da cidade. Por enquanto, ainda não se sabe se o ataque deixou vítimas, mas uma fonte informou que os funcionários do local foram enviados ao bunker da embaixada. Este é o segundo ataque de envergadura desta semana. Na terça-feira, talibãs cercaram o aeroporto de Kandahar, que durou 27 horas e matou ao menos 50 pessoas.

Publicidade

"A embaixada foi atacada. Estamos recebendo detalhes", indicou um porta-voz do ministério das Relações Exteriores em Madri à AFP, o que foi confirmado pela polícia de Cabul. "Os funcionários estão no bunker da embaixada, esperando para ser salvos pelas forças afegãs", informou outra fonte à AFP. O movimento talibã reivindicou a responsabilidade pelo ataque, mas disse que o alvo era uma casa de hóspedes estrangeiros. O premiê espanhol, Mariano Rajoy, afirmou que a embaixada não era alvo do ataque.

A embaixada fica no bairro Sherpur, no centro de Cabul. Sherpur é repleto de sedes de ONGs e residências de funcionários de alto escalão do governo, incluindo Abdul Rashid Dostum, primeiro vice-presidente do Afeganistão. Autoridades de segurança isolaram as ruas e ambulâncias com sirenes ligadas passavam em alta velocidade pelo local. A Espanha tinha nove soldados no Afeganistão no início do mês, segundo dados oficiais da Otan.

Negociações de paz

O ataque ocorre num momento em que os talibãs intensificam seus ataques contra alvos do governo e estrangeiros, apesar do esforço do presidente afegão, Ashraf Ghani, de alavancar negociações de paz com a insurgência. Pelo contrário, pelo Twitter, o porta-voz do movimento, Zabihullah Mujahid, disse que seria "estúpido" imaginar que os rebeldes "se renderiam e participariam de negociações" num momento de rápida progressão no plano militar.

O diálogo já causou uma baixa no governo: o chefe dos serviços de inteligência, Rahmatullah Nabil, foi demitido depois de expressar sua discordância em relação à política de abertura em relação ao Paquistão, país que tem forte influência sobre os talibãs.

Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira, Ghani rejeitou as críticas, dizendo que o Paquistão é um parceiro essencial para enfrentar a guerra que já dura 13 anos no país: "Sem um apoio positivo do Paquistão, será que essa guerra no Afeganistão vai ter fim?", perguntou o premiê aos jornalistas. "Como uma das fontes de instabilidade no Afeganistão é nosso vizinho, temos que colaborar com eles para encerrar o conflito", disse.

Há três dias, talibãs atacaram aeroporto

O ataque desta sexta-feira ocorre três dias após um cerco de 27 horas dos talibãs no aeroporto de Kandahar, a maior instalação militar no sul do Afeganistão, no qual 50 pessoas morreram, incluindo mulheres e crianças. Onze terroristas suicidas invadiram na terça-feira o complexo de alta segurança, que também abriga uma base conjunta do exército afegão e da Otan, tomando famílias como reféns e desencadeando tiroteios com soldados.

Nos últimos meses os talibãs realizaram vários ataques bem-sucedidos. No fim de setembro tomaram o controle durante alguns dias da capital provincial de Kunduz, sua maior vitória desde que foram expulsos do poder pela invasão americana, em 2001.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.