Uma pessoa morre em explosão em aeroporto de Istambul

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan REUTERS/Murat Cetinmuhurdar

Uma pessoa morreu e outra ficou ferida em uma explosão de origem desconhecida na madrugada desta quarta-feira (23) em Sabiha Gökçen, o segundo maior aeroporto internacional de Istambul, na Turquia. Zehra Yamaç, uma funcionária do serviço de limpeza, de 30 anos, sofreu graves ferimentos na cabeça e não resistiu. Outra faxineira ficou ferida na mão e está hospitalizada.

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"Uma explosão, de causa desconhecida, aconteceu às 2H05 (22H05 de Brasília) na área do estacionamento dos aviões", informou em um comunicado a companhia Pegasus Airlines. "Não havia passageiros no avião, nem nas escadas de acesso. O aeroporto Sabiha Gökçen prossegue com suas operações normalmente", completa o texto.

En 2015, o aeroporto, que só não é maior do que o Ataturk, na parte europeia da cidade, recebeu 17 milhões de passageiros de voos nacionais e quase 9 milhões de voos internacionais. "Estamos trabalhando com o governo turco para ajudar na investigação", afirmou Dato Azmi Murad, diretor executivo do Sabiha Gökçen, que leva o nome da primeira mulher turca a pilotar um avião de guerra.

Ameaça terrorista

A explosão aconteceu no momento em que as autoridades turcas afirmam aplicar uma "luta global contra o terrorismo". O país está em alerta desde os atentados de 10 de outubro em Ancara, que deixaram 103 mortos durante uma manifestação pacífica de curdos descontentes com o presidente Recep Tayyip Erdogan. A ação foi atribuída à organização Estado Islâmico (EI), assim como outros dois atentados ocorridos antes na região sudeste do país, de maioria curda.

As autoridades turcas, acusadas por opositores de complacência com grupos islamitas radicais, multiplicaram nos últimos meses as detenções nos círculos jihadistas. Ancara estabeleceu uma lista de mais de 33.000 potenciais jihadistas procedentes de 123 países e aumentou o número de expulsões, a quase 2.800, segundo o governo.

Mas o governo Erdogan insiste numa guerra total contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), cujas organizações irmãs YPG e YPJ formam as principais frentes de combate aos jihadistas na Síria. Ancara rompeu mais de dois anos de cessar-fogo com a organização independentista depois do atentado atribuído ao grupo Estado Islâmico contra militantes curdos em Suruç, no sudeste, em julho deste ano. Na época, o presidente prometeu lançar a guerra em duas frentes, contra jihadistas e curdos, mas na prática, só atacou os curdos, lançando o sudeste do país em uma tensão absoluta.

 

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