Mundo/ Natal

Cristãos perseguidos celebram Natal pelas redes sociais

Internauta divulga foto de Natal na Arábia Saudita, onde, publicamente, apenas o islamismo pode ser celebrado.
Internauta divulga foto de Natal na Arábia Saudita, onde, publicamente, apenas o islamismo pode ser celebrado. My Treedom/ Facebook

Os cristãos do mundo inteiro comemoram o Natal nesta noite de 24 de dezembro e na sexta-feira, 25. Mas nem todos podem celebrar publicamente o nascimento de Jesus: perseguidos em seus países, milhares de cristãos devem encontrar maneiras alternativas de festejar a data, sob o risco de represálias. Muitos exprimem a sua fé pelas redes sociais, sob o hashtag MyTreedom - junção das palavras inglesas tree (árvore) e freedom (liberdade).

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O grupo no Facebook foi lançado no início de dezembro e já tem dezenas de fotos de árvores de Natal e ceias publicadas. Na maioria das imagens, o rosto das pessoas aparece coberto.

Os administradores da página indicam que ela tem o objetivo de “celebrar a liberdade contra a perseguição e pelo direito ao Natal em todos os lugares do mundo”. Os cristãos são convidados a compartilhar as dificuldades que possam ter para festejar o Natal em seus países.

No Twitter, internautas das mais variadas nacionalidades enviam mensagens de solidariedade para aqueles que não têm direito de comemorar o Natal. A situação em Brunei, onde o sultão Hassanal Bolkiah proibiu as festividades, é amplamente denunciada.

Roupa de Papai Noel pode resultar em US$ 20 mil de multa e prisão

O sultão argumenta que as festas natalinas ferem a sharia ou lei islâmica, aplicada no rico país petroleiro do sudeste asiático. As autoridades do país de 430 mil habitantes, dos quais dois terços são muçulmanos, advertiram que estão terminantemente proibidas as decorações e celebrações natalinas porque, em sua opinião, poderiam desvirtuar os muçulmanos. O descumprimento das medidas pode ser castigado com US$ 20 mil de multa e até cinco anos de prisão.

Um internauta publicou uma foto no país e, na legenda, ironiza: "lembra quando o sultão de Brunei proibiu celebrações públicas de Natal? Feliz Natal de um restaurante em Brunei". 

Remember when the Sultan of Brunei banned public celebrations of Christmas? #MerryChristmas from a restaurant celebration in Brunei #MyTreedom

Posté par My Treedom sur jeudi 10 décembre 2015

Kobane, símbolo da perseguição pelo grupo Estado Islâmico

Outra imagem foi feita em Kobane, na Síria, cidade que vivenciou intensos combates entre curdos cristãos e radicais do grupo Estado Islâmico ao longo deste ano. “Praça da Liberdade: o mesmo lugar estava ocupado pelo Estado Islâmico há alguns meses. Feliz Natal”, diz a legenda.

Defiance in the face of evil. Freedom Square (Qada Azadî), Kobani, Syria. The same location was completely occupied by ISIS just months ago. Merry Christmas #MyTreedom

Posté par My Treedom sur mardi 22 décembre 2015

Christmas street decorations in Kobani, Syria; Meters away from where ISIS militants were just months ago. #MyTreedom

Posté par My Treedom sur samedi 12 décembre 2015

Mais fotos vêm do Iraque, do Quênia ou da Arábia Saudita, países onde o Natal é proibido pelas autoridades – caso de Riade – ou ameaçado por grupos terroristas. No reino saudita, a manifestação pública de qualquer religião que não seja a islâmica não é autorizada. Um internauta lembra que o país tem 1,5 milhão de cristãos (4% da população), mas nenhuma igreja.

 

#MerryChristmas from Saudi Arabia! Did you know there are over 1.5 million Christians living in Saudi Arabia? Send us...

Posté par My Treedom sur lundi 7 décembre 2015

 

Merry Christmas from Karbala, Iraq. A city of pilgrimage for Shiite Muslims and a haven for fleeing Iraqi Christians. But for how long? ISIS has threatened to march on Baghdad and Karbala. #MyTreedom

Posté par My Treedom sur jeudi 17 décembre 2015

 

Na quarta-feira, foi a vez de o governo da Somália, país muçulmano no leste da África, alegar razões religiosas e de segurança para proibir das festas de Natal e Ano Novo neste ano. “Nós nos opomos à celebração do Natal, que é uma festa exclusivamente cristã”, declarou o diretor do ministério da Religião, Mohamed Kheyrow. “É uma questão de fé. O Natal e a sua agitação não têm nada a ver com o Islã”.

O ministério enviou um comunicado à polícia, ao serviço de informação da segurança nacional e aos responsáveis pela capital Mogadíscio, determinando que toda e qualquer celebração de Natal fosse proibida.
 

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