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Linha Direta

Duplicação do Muro das Lamentações pode dar mais espaço às mulheres

Áudio 04:04
O Muro das Lamentações ou Muro Ocidental em Jerusalém, um dos lugares mais visitados do mundo e o mais sagrado para o judaísmo.
O Muro das Lamentações ou Muro Ocidental em Jerusalém, um dos lugares mais visitados do mundo e o mais sagrado para o judaísmo. wikimédia
8 min

O governo israelense aprovou um projeto que pode mudar um dos cartões postais de Jerusalém. De acordo com o plano, o famoso Muro das Lamentações, um dos pontos turísticos mais visitados do planeta, será duplicado e poderá dar mais espaço às mulheres. Líderes ultraortodoxos e palestinos se opõem à medida.

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Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

A mudança prevê revolucionar um dos locais mais visitados do mundo e o mais sagrado para o judaísmo: o Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém. A ideia é construir o que seria um “novo Muro das Lamentações” próximo do atual.

Não se trata de erguer uma nova muralha milenar - o que seria impossível -, mas sim de criar uma nova praça de visitação em frente a um outro trecho do muro. As obras duplicariam a atual área de visitação, que recebe, anualmente, cerca de 3 milhões de turistas.

Na realidade, o Muro das Lamentações tem outros trechos desconhecidos do público. A parte visitada é um trecho da muralha de contenção do Templo de Herodes, o complexo religioso mais sagrado para os judeus na época de Jesus Cristo.

Quando o Templo foi destruído pelos romanos, em 70 dC, só essa muralha de contenção, do lado ocidental, sobreviveu e acabou se tornando sagrada.

Há até bem pouco tempo, apenas esse trecho da muralha, o Muro da Lamentações atual, era conhecido. Mas, nas últimas décadas, foram feitas escavações arqueológicas que revelaram outros pedaços dessa mesma muralha, tão sagrados quanto o muro oficial.

Duplicação atende vertentes mais liberais do judaísmo

O projeto atende a um pedido de grupos religiosos israelenses mais liberais. Hoje, é a vertente ultraortodoxa, a mais conservadora do judaísmo, que controla as regras de conduta no Muro.

Por exemplo: homens e mulheres são separados por gênero para se aproximar das pedras milenares e depositar entre elas os famosos bilhetes com desejos ou orações.

Mulheres também só podem rezar nas pedras se estiverem com braços e ombros cobertos. Já o “novo Muro” será controlado por rabinos reformistas ou conservadores, mais liberais. Homens e mulheres poderão participar de cerimônias mistas, por exemplo.

Limitações para as mulheres

Por essa razão, os judeus ultraortodoxos não estão muito satisfeitos com as obras. Mas o projeto está sendo comemorado principalmente por um grupo chamado “Mulheres do Muro”, que há anos exige que rabinas mulheres possam rezar livremente no Muro das Lamentações.

Como os ultraortodoxos não reconhecem a legitimidade das rabinas, hoje elas são proibidas de realizar cerimônias no Muro e podem até ser detidas se fizerem orações em voz alta. Construir um novo Muro será, para elas, uma solução salomônica, já que pessoas de todas as vertentes religiosas ou seculares poderão visitar o local livremente sem as regras de conduta ultraortodoxas.

Palestinos contestam modificações

As obras podem levar a mais tensão entre palestinos e israelenses, que disputam o controle da parte Oriental de Jerusalém, onde fica o Muro. Os palestinos condenaram o projeto porque, segundo eles, o Muro das Lamentações é parte inseparável da Esplanada das Mesquitas, terceiro local mais sagrado para o Islã.

Mas os judeus chamam o local de Monte do Templo – onde, segundo a Bíblica, ficavam o templos de Salomão e de Herodes. A Autoridade Palestina, que oficialmente rejeita a ideia de que houve templos judaicos no local, apresentou, no ano passado, um projeto de resolução à Unesco para que o Muro das Lamentações fosse reconhecido como “sítio sagrado muçulmano”. A proposta acabou sendo retirada de pauta depois que a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, a rejeitou.
 

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