Grupo Estado Islâmico

Bombardeio dos EUA contra grupo EI na Líbia deixa mais de 40 mortos

Casa que foi alvo do bombardeio dos Estados Unidos nesta sexta-feira (19) em Sabrata, na Líbia, foi completamente destruída.
Casa que foi alvo do bombardeio dos Estados Unidos nesta sexta-feira (19) em Sabrata, na Líbia, foi completamente destruída. Reuters

Um ataque aéreo dos Estados Unidos contra um campo de treinamento jihadista na Líbia matou mais de 40 pessoas nesta sexta-feira (19), entre as quais provavelmente um líder do grupo Estado Islâmico (EI), informaram fontes líbias e americanas.  O suposto terrorista pode ter participado de dois graves atentados na Tunísia no ano passado.

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De acordo com um funcionário do Departamento norte-americano da Defesa, o ataque aéreo foi realizado no início da manhã na localidade de Sabrata, no norte da Líbia. O bombardeio provavelmente matou um importante membro do grupo Estado Islâmico, Noureddine Chouchanne, indicou.

Chouchanne teria participado de dois sangrentos atentados na Tunísia em 2015: em julho, em uma praia perto da cidade de Sousse, no qual 38 turistas morreram, e o do museu do Bardo de Túnis, em março, que matou 21 turistas e um policial. Os dois ataques foram reivindicados pelo grupo Estado Islâmico, contra quem uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos empreende uma importante ação na Síria e no Iraque.

A maioria dos mortos são tunisianos

As autoridades líbias informaram que uma casa de dois andares, alvo das bombas, ficou completamente destruída. No total, 41 pessoas morreram e seis ficaram feridas. "Todas as vítimas estavam no interior da residência e a maioria dos mortos são tunisianos, provavelmente membros do EI", disse um responsável local líbio, Hussein al Dawadi.

Uma autoridade líbia informou que o bombardeio foi muito preciso e só atingiu a casa. Um integrante do conselho militar de Sabrata, que pediu o anonimato, declarou que é provável que no momento do ataque estivesse ocorrendo uma reunião de membros do grupo Estado Islâmico.

Um dos feridos interrogado pelas forças de segurança contou ter ido ao local com outras pessoas para fazer um "treinamento de guerra" e que o grupo que os levou a Sabrata vendou seus olhos durante todo o trajeto.

Líbia é novo reduto do grupo Estado Islâmico

A cidade de Sabrata está controlada pela coalizão de milícias de Fajr Libya, que se apoderou em agosto de 2014 de Trípoli e de outras regiões, obrigando as autoridades reconhecidas pela comunidade internacional a se exilar no leste do país. Já os jihadistas do grupo Estado Islâmico se arraigaram na Líbia aproveitando o caos no qual o país está afundado desde que uma revolta expulsou do poder em 2011 o ditador Muanmar Kadhafi, com apoio da Otan.

A Líbia conta atualmente com dois governos e parlamentos, um reconhecido pela comunidade internacional, em Tobruk, e outro na capital. A ONU vem se dedicando ao projeto de um governo de unidade nacional, que deixe para trás a divisão e permita lutar de forma eficaz contra os jihadistas e os traficantes de todo tipo.

Enquanto isso, o grupo Estado Islâmico segue ganhando força no país. Em junho, os combatentes jihadistas tomaram a cidade de Sirte, a 450 km a leste de Trípoli e cidade natal de Kadhafi.

Na terça-feira, o presidente norte-americano, Barack Obama, advertiu que não permitirá que o Estado Islâmico se instale de forma duradoura na Líbia, onde acredita-se que haja cinco mil combatentes. "Estamos trabalhando com nossos parceiros da coalizão para impedirmos que o EI crie raízes na Líbia", disse Obama.

(Com informações da AFP)

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