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Peru/Eleições

Nova lei eleitoral traz confusão ao pleito presidencial no Peru

Keiko Fujimori durante campanha no último dia 23 de março, na periferia de Lima.
Keiko Fujimori durante campanha no último dia 23 de março, na periferia de Lima. Reuters
3 min

A nova lei de partidos, que fez com que a metade das candidaturas fosse impugnadas, e as renúncias de último minuto causam confusão no Peru, com eleitores que ainda não sabem que candidatos continuam na disputa, faltando apenas uma semana para as eleições presidenciais, no dia 10 de abril. Uma pesquisa indica Keiko Fujimori como favorita nas intenções de voto.

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A maior parte dos candidatos é investigada por casos de compra de votos, um delito que a nova lei do país pune com a expulsão da disputa. Os detratores dessa nova norma alegam que ela carece de critérios mais claros em sua aplicação.A lei em questão deixa em aberto até o dia da eleição a possibilidade de impugnar uma candidatura.

Keiko consegue afastar impugnação e se mantém na liderança

Na sexta-feira (1), Keiko Fujimori manteve-se na disputa após a decisão do Supremo Tribunal Eleitoral de rejeitar um pedido de impugnação contra ela. A candidata é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que cumpre pena por corrupção e crime contra a humanidade.

Segundo o instituo Datum, Keiko lidera as pesquisas de intenção de voto com 36,1%. Na segunda posição, em empate técnico, aparecem o economista Pedro Pablo Kuczynski (direita), e Verónika Mendoza (esquerda), com 16% e 14,8% das intenções de voto. Se esses resultados se confirmarem, será necessário realizar um segundo turno, já que nenhum dos candidatos obtém a metade mais um dos votos.

Ainda nesta sexta-feira, as autoridades eleitorais abriram uma investigação contra o candidato e ex-presidente Alan García, por suposta violação da nova legislação. Alan García ocupa apenas a quinta posição nas pesquisas.

Nova lei tenta evitar abusos de candidatos

Depois de um longo debate no Congresso, a lei entrou em vigor em janeiro e foi questionada por analistas eleitorais porque permite a exclusão de candidatos na fase final da campanha, gerando confusão no eleitorado.

Para o especialista em questões eleitorais, Fernando Tuesta, as modificações introduzias pelo Congresso na lei, em particular a exclusão de candidatos, vão de encontro a seus objetivos: reforçar os partidos e a democracia interna e acabar com o clientelismo político.

Em fevereiro, já havia sido impugnado César Acuña, um dos favoritos, por também comprar votos, enquanto que o economista Julio Guzmán, que se encontrava em segundo lugar nas preferências, ficou de fora da disputa por não cumprir com as normas administrativas durante as primárias de seu partido.

A disputa começou com 19 candidatos. Depois das impugnações e renúncias, a cédula de votação ficou com 14 nomes, mas destes, quatro renunciaram nos últimos dias. A lei também não estabelece limite para se deixar a contenda.

Para os especialistas, estas são as eleições mais tumultuadas desde o fim de 2000, quando Alberto Fujimori foi acusado de manipular as leis para conseguir um terceiro mandato.

"Somos o único país da região com uma lei que permite excluir candidatos de uma eleição. Isso não acontecia desde 1950", quando o país era governado pela ditadura militar do general Manuel Odría, que excluiu o candidato opositor para disputar sozinho, recorda Tuesta.
 

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