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“Brasil e África do Sul vivem síndrome da riqueza fácil”

Presidenta Dilma Rousseff durante encontro com o Presidente da África do Sul, Jacob Zuma. (Nova Délhi - Índia, 28/03/2012)
Presidenta Dilma Rousseff durante encontro com o Presidente da África do Sul, Jacob Zuma. (Nova Délhi - Índia, 28/03/2012) Roberto Stuckert Filho/PR
Texto por: RFI
3 min

O pedido de impeachment contra os presidentes de dois países país integrantes do grupo de emergentes Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tem gerado uma série de comparações e análises: como Brasil e África do Sul, dois países que apresentavam uma economia em desenvolvimento, acabaram envolvidos em escândalos de corrupção?

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O economista e consultor, Thierry Apoteker, fundador e presidente da consultoria TAC Economics e ex-diretor de estudos do banco Indosuez, em entrevista à RFI, disse que a maior semelhança da crise política vivida pela África do Sul e pelo Brasil é o modelo de economia que adotam. “Países cujas economias estão baseadas na exportação de matérias-primas vivem uma espécie de  síndrome de riqueza fácil. O dinheiro entra de forma muito fácil e concentrado e esta concentração favorece a corrupção”, avalia.

No caso do Brasil, Apoteker afirma ter havido uma coincidência com a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder e a onda de prosperidade econômica vivida pelo Brasil na última década. “Esta temporada de desenvolvimento estava ligada ao avanço da economia chinesa, principalmente”, afirma.

E como toda economia baseada na exportação de matérias-primas, com a contração da demanda, a economia acaba estagnada. Para o especialista, o problema desse “enriquecimento fácil” foi não fazer os investimentos necessários em infraestrutura e nos sistemas produtivos.

“Mesmo com a série de medidas sociais, que acabaram tirando mais de 40 milhões de pessoas da pobreza, não houve uma continuidade e, de repente, o rei estava nu. A sensação é de que não houve esforços suficientes para manter aquela prosperidade”, explica Apoteker.

Origem da corrupção

Quando questionado se a crise vivida pela Africa do Sul e Brasil era previsível, Apoteker discorda. Segundo o economista, os dois países vivem, além dos problemas de corrupção, problemas de governança politica. “Não era possível prever este desfecho, foi preciso surgirem fatos para desencadear as investigações que estão revelando todo o processo de corrupção”, afirma.

No caso do Brasil, Dilma Rousseff é acusada de praticar as famosas “pedaladas fiscais”, manobras para aliviar, momentaneamente, as contas públicas. No caso da Africa do Sul, foram os US$ 24 milhões de dinheiro público gastos pelo presidente Jacob Zuma que pagaram a construção de uma piscina, um celeiro, um anfiteatro e um local para receber as visitas em sua propriedade particular.

Mas, de acordo com Apoteker, a semelhança dos dois países se encontra na origem do sistema de corrupção. Nos dois casos, trata-se de partidos que nunca haviam chegado ao poder e, por consequência, não recebiam financiamentos de empresas. “Estes partidos chegaram ao poder com líderes carismáticos, Lula e Mandela, que buscaram achar formas de financiamento para sustentar estes partidos no poder. No começo, não era um mecanismo de corrupção pessoal e sim a instalação de um mecanismo de funcionamento politico. O problema, como acontece em todo lugar, é que a partir de financiamentos institucionais – aos quais podemos ser críticos ou não – caiu-se na prevaricação”, explica.
 

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