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Síria/Conflito

Negociações de paz para a Síria são retomadas em Genebra

Os rebeldes que controlam Aleppo fazem barricadas com ônibus para se proteger da ofensiva das forças do regime.
Os rebeldes que controlam Aleppo fazem barricadas com ônibus para se proteger da ofensiva das forças do regime. REUTERS/Abdalrhman Ismail
Texto por: RFI
3 min

As negociações para a paz na Síria foram retomadas nesta quarta-feira (13) em Genebra, sob mediação da ONU, mas sem grandes expectativas de avanço. As discussões acontecem no mesmo dia de eleições legislativas organizadas pelo regime do presidente sírio Bashar al-Assad, mas rejeitadas pela oposição.

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A nova rodada de negociações entre representantes da oposição e do regime sírio em Genebra deve durar dez dias. As discussões vão se concentrar na transição política, na governança e em grandes princípios constitucionais. Essa terceira tentativa da ONU de fechar um acordo entre oposição e regime acontece três semanas após a primeira rodada de negociações na Suíça, que não trouxe avanço concreto para pôr fim ao conflito de 5 anos, que já deixou mais de 270 mil mortos.

As discussões também acontecem em um contexto frágil. Apesar de viver oficialmente uma trégua, a Síria está prestes a mergulhar de novo na guerra. As forças do regime, rebeldes moderados de oposição e jihadistas da Frente al-Nusra, o braço armado da Al Qaeda, além do Estados Islâmico se preparam para uma grande batalha na província de Aleppo. Cerca de 9.500 homens, soldados e combatentes, já estão posicionados.

Eleições legislativas contestadas

As eleições legislativas que estão acontecendo na Síria são mais uma manobra do regime para mostrar que ainda está vivo. É uma luta desesperada de sobrevivência do Partido Bass, do presidente Bashar-al Assad, que governa o país há mais de meio século com mão de ferro. A votação só acontece nas regiões controladas pelo regime, ou seja, em 60% do território, incluindo a capital Damasco.
Três mil e quinhentos candidatos a deputado concorrem a 250 cadeiras no Parlamento sírio, nessa segunda eleição em cinco anos de guerra civil. Os resultados não devem trazer nenhuma surpresa: vão confirmar a hegemonia do partido do presidente Bashar al-Assad.

Opositores internos e externos, assim como os países ocidentais, denunciam essa eleição como ilegítima. Apenas 5 milhões dos 22 milhões de sírios poderão eventualmente votar. Entrevistado pelo RFI, Hasni Abidi, diretor do Centro de Estudos e de Pesquisa do Mundo Árabe e Mediterrâneo, disse que o presidente sٕírio tenta “transformar as vitórias militares, que obteve graças ao apoio dos aliados russos e iranianos, em vitória política.” Para o especialista, Bashar al-Assad busca se impor como um ator incontornável no processo de transição política na Síria, que as discussões de Genebra tentam definir.
 

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