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Atentado no Iraque: grupo EI se vinga de tomada de Fallujah, diz especialista

As forças iraquianas perto da cidade de Fallujah, no Iraque
As forças iraquianas perto da cidade de Fallujah, no Iraque REUTERS/Alaa Al-Marjani

Trata-se de um consenso entre especialistas em terrorismo: o violento atentado que matou mais de 213 pessoas neste domingo (3), no centro de Bagdá, é a resposta grupo Estado Islâmico à perda de Fallujah, um dos redutos dos extremistas.

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Esta também é a opinião de Myriam Benraad, representante da ONU no país, cientista política e autora do livro “Iraque, a revanche da História”. “É evidente que existe uma dimensão reativa à perda de um reduto histórico, que é Fallujah”, declara a especialista, entrevistada pela RFI. “Esse ataque é um sinal claro de que o grupo Estado Islâmico está tentando se vingar”, observa.

De acordo com a cientista política, o ataque é um retorno ao modus operandi essencial do grupo, que apesar de estar perdendo terreno no campo de batalha contra a coalizão internacional, ainda tem força para organizar atentados violentos. Segundo ela, a incapacidade do governo iraquiano em garantir a segurança da população contribui para esse cenário.

“Apesar do premiê Haider Al-Abadi prometer novas medidas, e Bagdá ser considerada uma cidade pacificada, a capital ainda está infiltrada por membros do grupo Estado Islâmico e é um alvo constante, desde 2004”, diz. Foi nessa época, lembra, que o grupo começou a se organizar, formado em parte por antigos membros do exército de Sadam Hussein, tendo como alvo na região a comunidade xiita.

Outra dificuldade do governo é lidar com uma polícia despreparada, a infiltração das forças armadas por membros da milícia, além de um aparelho público corrupto. “O Iraque está falido e esse grupo na verdade é uma guerrilha urbana, e existe uma continuidade em seu discurso”, diz a especialista.

Benraad lembra a mensagem divulgada no último dia 21 de maio por Abou Mohamed Al-Adnani. Na gravação, o porta-voz do grupo convoca seus aliados a organizarem ataques no mundo no período do Ramadã. “Ele disse que o grupo queria espalhar o horror e a morte por todos os lados”, explica Benraad. “E é o que tem feito. Nesses últimos dez anos, nada mudou”.

Batalha em Moussoul

Questionada sobre uma possível ofensiva em Mossoul, no norte do Iraque, para expulsar os jihadistas, Benraad é categórica: para ela, essa “batalha final” vem sendo adiada o máximo possível. O local é estratégico porque lá estão situados os principais campos de petróleo do país. Hoje a estrutura é utilizada pelos extremistas para escoar sua produção, o que financia uma parte de suas operações –até hoje não está claro quem compra o produto. “Por hora, a prioridade é securizar a capital. Já havia rumores sobre uma batalha em Mossoul em 2015, que não aconteceu. Mossoul é um objetivo difícil e com sérias consequências”, conclui.

 

 

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