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Turquia

Turquia: adoção da pena de morte pode dificultar adesão do país à UE

Policial na entrada da sede da polícia em Ancara, Turquia, 18 de julho de 2016.
Policial na entrada da sede da polícia em Ancara, Turquia, 18 de julho de 2016. REUTERS/Osman Orsal
3 min

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, advertiu nesta segunda-feira (18) a Turquia que sua candidatura à adesão à União Europeia (UE) poderá ser questionada após as declarações do presidente Recep Tayyip Erdogan, na noite de domingo (17), evocando uma possível reintrodução da pena de morte no país.

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"Nenhum país pode aderir à UE se introduz a pena de morte", disse Mogherini durante uma coletiva de imprensa. Uma declaração que ecoou a do porta-voz do governo alemão pronunciada quase ao mesmo tempo em Berlim.

"A introdução da pena de morte na Turquia significaria para Ancara o fim das negociações de adesão à União Europeia", garantiu Steffen Seibert, porta-voz do governo alemão, durante uma coletiva de imprensa.

A Alemanha é o país europeu com a maior comunidade turca fora da Turquia. No sábado (16), a chanceler Angela Merkel, pivô do acordo UE-Turquia sobre os refugiados, já havia exortado Erdogan a "respeitar o Estado de Direito".

Excessos de Erdogan preocupam UE

O pedido de adesão da Turquia à UE já havia esbarrado nas crescentes preocupações dos Estados-Membros do bloco quanto aos excessos autoritários do regime do presidente Erdogan em matéria de liberdade de imprensa e direitos humanos.

Ao chegar em Bruxelas nesta segunda-feira, o comissário europeu para as Adesões, Johannes Hahn, responsável do bloco pela candidatura da Turquia, sugeriu que o governo turco já havia preparado, antes mesmo da tentativa de golpe, um lista de pessoas a prender. "Eu acredito que o fato de que as listas já estavam disponíveis logo após o evento mostra que elas foram preparadas para serem utilizadas em algum momento", observou.

Três dias após a tentativa de golpe que fez ao menos 308 mortos, incluindo mais de 100 rebeldes, um total de 7.543 suspeitos estavam presos sob custódia nesta segunda-feira, entre eles 6.038 soldados, 755 juízes e 100 policiais.

Repressão generalizada

Os Estados Unidos e a UE também advertiram Ancara nesta segunda-feira sobre uma repressão generalizada, três dias após um golpe de Estado fracassado. "Pedimos ao governo da Turquia que respeite as instituições democráticas da nação e do Estado de Direito", insistiu o secretário de Estado dos Estados Unidos John Kerry, depois de uma reunião em Bruxelas com os ministros das Relações Exteriores do bloco.

Durante a coletiva de imprensa com Mogherini, Kerry disse que os Estados Unidos e a UE vão acompanhar de perto a situação na Turquia. "O nível de vigilância e monitoramento será importante nos próximos dias", advertiu Kerry.

(Com informações da AFP)

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