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EUA/Turquia

Pregador exilado denuncia autoritarismo de presidente turco após ordem de prisão

O pregador turco Fethullah Gulen, em foto de setembro de 2013, vive exilado nos EUA desde 1999.
O pregador turco Fethullah Gulen, em foto de setembro de 2013, vive exilado nos EUA desde 1999. AFP/SELAHATTIN SEVI / ZAMAN DAILY
Texto por: RFI
4 min

O pregador Fethullah Gulen, exilado nos Estados Unidos e alvo de um mandado de prisão por ser considerado o mentor do golpe de Estado fracassado na Turquia, denunciou em comunicado nesta sexta-feira (5) a falta de independência do poder judiciário turco, controlado, segundo ele, pelo presidente Recep Tayyip Erdogan.

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"Este mandado de prisão é outro exemplo do autoritarismo do presidente Erdogan e de sua tendência de se distanciar da democracia ", afirma Gulen na nota. "Condenei em várias ocasiões a tentativa de golpe de Estado na Turquia e neguei qualquer conhecimento ou envolvimento no caso", reiterou.

A ordem de prisão, emitida por um tribunal de Istambul na quinta-feira, acusa o ex-pregador islâmico, exilado desde 1999 na Pensilvânia, "de ter ordenado a tentativa de golpe de Estado de 15 de julho", segundo a agência governamental turca. O mandado de prisão abre caminho para um pedido formal de extradição de Gullen a Washington.

O secretário de Estado americano, John Kerry, chega a Ancara no próximo dia 24 de agosto, segundo a chancelaria turca. A situação de Gulen pode gerar tensão no longo prazo às relações entre Turquia e Estados Unidos, que pediram a Ancara provas do envolvimento do ex-imã no suposto golpe.

Ancara já solicitou em várias ocasiões aos Estados Unidos a extradição de Gulen. A Turquia indicou que já forneceu duas vezes documentos sobre seu papel no levante.

Washington alega que o procedimento jurídico de extradição leva tempo. O ministério da Justiça "sempre tenta determinar se os documentos fornecidos constituem um pedido formal de extradição", explicou o porta-voz do departamento de Estado americano, Mark Toner.

"A ponta do iceberg"

Em duas semanas, uma delegação liderada pelos ministros turcos das Relações Exteriores e da Justiça também deve viajar aos Estados Unidos para explicar o suposto envolvimento de Gulen na tentativa de golpe. Em dezembro de 2014, a Turquia já havia emitido uma ordem de prisão contra Gulen por ele ter "montado e dirigido uma organização terrorista armada".

Em entrevista coletiva, o presidente turco denunciou com veemência o "vírus" dos simpatizantes de Gulen, "que se espalha por toda parte", e a Turquia "não tem escolha, senão limpar". "Cada escola, cada casa (...) e cada companhia desta estrutura (a rede de colaboradores de Gulen) é um ninho de terroristas", exclamou o chefe de Estado. "Estas pessoas são assassinas, hipócritas (...) ladras". "Os detidos são apenas a ponta do iceberg", ressaltou, "os demais seguem agindo". Segundo Erdogan, "não há dúvida de que o mundo dos negócios é um pilar da organização", completou.

A perseguição implacável de simpatizantes, reais ou supostos, de Gulen na Turquia afeta todos os setores da sociedade, sobretudo as forças armadas - metade dos generais foram afastados -, educação, justiça e também meios de comunicação, com 131 deles fechados.

De acordo com dados fornecidos pelo ministro do Interior, Efkan Ala, cerca de 26.000 pessoas foram detidas e 13.419 estão em prisão preventiva desde o início do expurgo. No total, foram registradas mais de 50.000 demissões de pessoas acusadas de envolvimento com os gulenistas.

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