Aleppo/massacres

Primeiro-ministro francês denuncia “massacres” em Aleppo

As forças sírias pró-governo mataram ao menos 82 civis, entre eles mulheres e crianças, no leste de Aleppo, onde estão entrincheirados grupos da oposição.
As forças sírias pró-governo mataram ao menos 82 civis, entre eles mulheres e crianças, no leste de Aleppo, onde estão entrincheirados grupos da oposição. REUTERS/Abdalrhman Ismail
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O premiê francês, Bernard Cazeneuve, denunciou nesta terça-feira (13) os “massacres” cometidos pelo regime sírio, com ajuda da Rússia, contra os civis em Aleppo. A segunda cidade da Síria, está a ponto de cair totalmente nas mãos do governo e seus aliados, no que se considera a "fase final" de uma ofensiva sem trégua contra os rebeldes, que já dura quatro semanas.

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Esses atos podem constituir “crimes de guerra ou até crimes contra a humanidade”, declarou Cazeneuve. “Quero denunciar o horror desses massacres e afirmo que os responsáveis vão ter de responder, diante da comunidade internacional, sobre os crimes dos quais são responsáveis”, declarou diante da Assembleia Nacional.

“Neste momento em que falo a vocês, uma tragédia humana assustadora atinge a cidade de Aleppo e sua população civil”, disse Cazeneuve, citando “mulheres e crianças que, após meses de cerco, fogem de bombas e são vítimas de atrocidades indescritíveis.

“Comunidade internacional demorou para agir”, admite Hollande

Em Berlim, o presidente francês, François Hollande, também declarou a respeito: “Precisamos colocar um fim a esse derramamento de sangue, retirar a população com segurança e ajudar os que precisam”. Ele reconheceu que a comunidade internacional “demorou demais no plano político”.

A ONU também mostrou grande preocupação diante das informações de que “forças pró-governamentais haviam assassinado ao menos 82 civis, incluindo 11 mulheres e 13 crianças", segundo declaração do porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos, Rupert Colville. O Conselho de Segurança da ONU se reúne em caráter de emergência em Nova York para discutir a questão.

A reconquista de Aleppo, dividida desde 2012 entre os bairros ao leste, controlados pelos rebeldes, e o setor oeste, nas mãos do regime, seria a maior vitória do governo contra os primeiros opositores desde o início da guerra na Síria em 2011.

Moradores apoiam governo de Damasco

De Aleppo, a correspondente da rádio MCD (que faz parte do grupo FMM, assim como a RFI), falou com moradores da parte oriental. “Eles dizem que sofrem há quatro anos”, conta. “Eles padeceram as consequências do cerco imposto pela oposição, que tornou o encaminhamento de provisões impossível. Eles também sofreram com os tiros de morteiros lançados pelos opositores em seus bairros. A maior parte desses moradores apoiam, portanto, o governo de Damasco”.

A ofensiva fulminante do exército de Damasco foi lançada no dia 15 de novembro com o apoio de combatentes iranianos e do Hezbollah libanês, e apoiada por bombardeios aéreos e de artilharia russos.
 

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