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Síria/Crise

Acordo de Astana: rumo a uma desescalada do conflito sírio?

Vista da cidade de al-Bab, palco de confrontos entre rebeldes "pró-turcos" e jihadistas do grupo Estado Islâmico. Foto tirada em fevereiro de 2017.
Vista da cidade de al-Bab, palco de confrontos entre rebeldes "pró-turcos" e jihadistas do grupo Estado Islâmico. Foto tirada em fevereiro de 2017. REUTERS/Khalil Ashawi

Diminuiu o número de casos de violência em várias regiões da Síria desde a entrada em vigor, na madrugada deste sábado (6), de um acordo concluído entre Rússia, Irã e Turquia para se chegar a uma trégua durável no conflito sírio.

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O processo rumo a paz tem início dois dias depois da assinatura de um memorando na cidade de Astana, no Cazaquistão, por representantes da Rússia e Irã, aliados do presidente Bashar al-Assad, e da Turquia, que apoia os opositores ao regime de Damasco. Esses países se tornaram "fiadores" desse documento, que prevê a criação de quatro "zonas de desescalada" de confrontos na Síria.

Horas depois do início do processo, alguns combates e bombardeios foram registrados, mas de maneira esporádica e sem a intensidade habitual. De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, confrontos aconteceram durante a madrugada e a manhã deste sábado nas províncias de Hama e Damasco, no centro, e em Alepo, no norte. No entanto, a violência recuou nas regiões envolvidas no acordo.

Vários acordos de trégua ou de cessar-fogo foram concluídos durante os seis anos de guerra civil, mas não avançaram. O plano atual é considerado mais ambicioso e o que mais tem chances de sucesso.

O acordo começou a ser aplicado à partir da meia-noite deste sábado, mas o memorando só deverá entrar em vigor pra valer no dia 4 de junho, quando as quatro regiões serão delimitadas. A duração será de seis meses com possibilidade de renovação.

Uma das regiões vai envolver a província de Idlib, noroeste do país, outra Homs, no centro, Ghuta Oriental, que é o principal reduto rebelde na periferia de Damasco, e no sul, uma área será estabelecida entre as províncias de Deraa e Qouneitra.

Um responsável das Estado-Maior russo indicou que no perímetro do acordo estão 2,67 milhões de civis e 41.500 rebeldes.

Críticas da oposição síria

O documento não deixa claro se os combates devem ser interrompidos imediatamente e nem se o regime sírio ou seus opositores devem anunciar uma pausa nos confrontos.

A oposição síria expressou na sexta-feira (6) preocupações sobre certos pontos considerados "ambíguos" do acordo, além da falta de garantias necessárias e a falta de mecanismos de verificação para sua aplicação.

Além de uma trégua durável, o memorando prevê uma melhoria da situação humanitária e criar "condições para avançar no processo político". As "zonas de desescalada" serão alinhadas a "zonas de segurança", com postos de controle e centros de vigilância comandados pelas forças dos países "fiadores" do acordo e também de outras "partes". Nessa áreas, as forças do regime e dos grupos armados da oposição deverão interromper o uso de todo tipo de armas, incluindo bombardeios aéreos.

Moscou, Ancara e Teerã, no entanto, se comprometeram a adotar todas as medidas necessárias para lutar contra  grupos terroristas dentro e fora das áreas delimitadas pelo acordo. Além de facilitar o acesso de ajuda humanitária e de assistência médica, o objetivo é priorizar o retorno dos deslocados e a reconstrução das infraestruturas.

Separação dos rebeldes

O "acordo de Astana" prevê ainda que os países "fiadores" devem separar os grupos armados da oposição entre "grupos terroristas", que segundo o documento são o grupo Estado Islâmico e a Frente Al-Nusra (antigo nome da atual Frente Fateh al-Cham), e todos os outros grupos, entidades e os indivíduos que são afiliados.

A separação entre rebeldes e jihadistas da Frente Fateh al-Cham sempre foi considerada um dos principais obstáculos para a aplicação de outras iniciativas de cessar-fogo na Síria.

A guerra na Síria, que teve início em março de 2011, já deixou mais de 320 mil mortos.
 

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