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Turquia

Turquia inicia julgamento de mais de 200 supostos líderes de golpe de Estado

Foto de arquivo de supostos envolvidos no golpe de Estado de julho de 2016 na Turquia.
Foto de arquivo de supostos envolvidos no golpe de Estado de julho de 2016 na Turquia.
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O julgamento de mais de 200 supostos líderes no golpe de Estado frustrado de 15 de julho do ano passado na Turquia começou nesta segunda-feira (22) em Ancara, tendo como principal suspeito Fethullah Gülen, pregador islamita exilado nos Estados Unidos.

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Entre as 221 pessoas julgadas, estão 26 generais e 12 civis. No total, 200 estão em detenção provisória, nove em liberdade sob controle judicial e 12 são consideradas foragidas, informou a agência governamental Anadolu. As acusações incluem "violação da Constituição, assassinato de 250 pessoas e pertencer e dirigir uma organização terrorista", entre outras.

O julgamento acontece na prisão de Sincan, região de Ancara, onde foi construída uma grande sala de audiências para o processo gigantesco. Muitos policiais patrulham as proximidades do tribunal, com a ajuda de veículos blindados, um drone e franco-atiradores. Na sala de audiências, os acusados permanecem cercados por policiais e militares.

O ex-comandante das Força Aérea Akin Ozturk, um dos acusados mais conhecidos, depõe na tarde desta segunda-feira. Outros acusados célebres são o ex-general Mehmet Disli, irmão de um deputado do partido governista AKP, e o coronel Ali Yazici, ex-assessor do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Início de julgamento turbulento

Na chegada ao tribunal, escoltados pelas forças de segurança, os réus foram vaiados por dezenas de manifestantes que pediam a pena de morte. No entanto, a pena capital foi abolida em 2004, uma das exigências da União Europeia para aceitar a adesão da Turquia, país candidato, ao bloco.

Desde a tentativa de golpe, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan afirmou em várias oportunidades que estava disposto a restabelecer a pena de morte e mencionou a possibilidade de um referendo sobre o tema.

No início do julgamento, a leitura dos nomes dos acusados teve que ser interrompida diversas vezes por gritos do público. Algumas pessoas exibiam fotos dos parentes mortos na noite de 15 de julho. Uma mulher, que não parava da gritar "traidores", desmaiou e recebeu atendimento médico.

Quase 250 mortos

A tentativa de golpe de Estado de julho do ano passado deixou quase 250 mortos e milhares de feridos. Ancara acusa o pregador Fethullah Gülen de ser o idealizador do golpe e pede a Washington sua extradição. Ex-aliado do presidente turco que se tornou seu inimigo, Gülen negou por várias vezes ter envolvimento no incidente.

De acordo com a acusação, mais de 8 mil militares participaram da tentativa de golpe. Segundo o governo, eles utilizaram 35 aviões de guerra, 37 helicópteros, 74 tanques, 246 veículos blindados e quase 4 mil armas leves.

Os processos judiciais, amparados pelo estado de emergência instaurado após a insurgência, não têm precedentes na Turquia. Mais de 47 mil pessoas foram detidas nos expurgos desde 15 de julho.

(Com informações da AFP)

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