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Atentado

Multidão grita "morte aos EUA" em funeral de vítimas de atentados no Irã

Milhares de pessoas participaram do funeral em Teerã
Milhares de pessoas participaram do funeral em Teerã TIMA via REUTERS
Texto por: RFI
4 min

Aos gritos de "morte aos Estados Unidos" e "não temos medo", dezenas de milhares de pessoas participaram nesta sexta-feira (9) do funeral em Teerã das vítimas dos primeiros atentados realizados no Irã pelo grupo Estado Islâmico (EI).

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A multidão seguiu em procissão o caminhão que transportava pelas ruas da capital iraniana os caixões de 15 das 17 pessoas mortas nos ataques que, na quarta-feira (7), visaram dois locais altamente simbólicos, o Parlamento e o mausoléu do imã Khomeini, fundador da República Islâmica. As outras duas vítimas foram enterradas no interior.

O cortejo saiu do centro de Teerã e seguiu até o cemitério Behesht-e Zahra, perto do mausoléu de Khomeini, a cerca de 20 km.

Pouco antes, o guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, enviou uma mensagem de condolências às famílias das vítimas, afirmando que os ataques só "reforçam o ódio contra o governo dos Estados Unidos e seus agentes na região, como o governo saudita".

Em uma cerimônia no Parlamento, na presença do presidente Hassan Rouhani, o presidente da Assembleia, Ali Larijani, também atacou a Arábia Saudita, descrevendo o reino de "Estado tribal muito longe da democracia".

Ele também denunciou as sanções de Washington contra Teerã, especialmente relacionadas ao seu programa de mísseis balísticos.

“Os EUA sabem que a Guarda Revolucionária (o exército de elite do regime) e sua força Qods (para operações externas) são as forças regionais mais importantes que lutam contra os terroristas", disse Larijani, que prometeu uma "resposta terrível".

A Guarda Revolucionária acusou Washington e Riad de estarem "envolvidos" nos atentados de quarta-feira.Mas o ministro da Inteligência, Mahmud Alavi, indicou que é muito cedo para "julgar se a Arábia Saudita teve participação".

Caça aos cúmplices

O ministro afirmou que a caça aos cúmplices dos autores dos atentados e de outros extremistas continua e que "muitos deles" foram "identificados".

O local onde se reuniam e se escondiam foi localizado e "equipamentos, aparelhos e cintos de explosivos" foram encontrados, disse Alavi.

Além disso, um carro abandonado com pelo menos 22 armas foi descoberto na província de Kermanshah, perto da fronteira com o Iraque (noroeste), de acordo com a agência de notícias Irna.

Os ataques de quarta-feira, que também deixaram 50 feridos, foram cometidos por cinco homens armados, incluindo homens-bomba que se explodiram. Eles eram todos iranianos, membros do EI e teriam atuado na Síria e no Iraque antes de retornarem ao Irã.

“Reação repugnante"

O Irã apoia os governos da Síria e do Iraque no combate aos rebeldes e extremistas islâmicos, incluindo o EI.

O grupo extremista publicou em março um vídeo em persa dizendo que o grupo ia "conquistar o Irã e devolvê-lo à nação muçulmana sunita", matando os xiitas.

Embora regiões próximas às fronteiras com o Iraque, o Afeganistão e o Paquistão tenham sido atacadas pelos grupos extremistas, entre eles o EI, os grandes centros urbanos se mantiveram à margem desses atentados até agora. Os extremistas sunitas do EI consideram o Irã xiita apóstata.

E, apesar de Washington combater igualmente os extremistas islâmicos, o presidente americano, Donald Trump, disse em um breve comunicado que reza pelas "vítimas inocentes" dos ataques, mas que "os Estados que apoiam o terrorismo se arriscam a se tornar vítimas do mal que promovem".

Desde a posse do presidente Trump em janeiro, as relações pioraram entre Washington e Teerã, que romperam relações diplomáticas após a Revolução Islâmica de 1979.

O governo dos Estados Unidos impôs novas sanções contra o Irã por seu apoio a supostos grupos "terroristas" no Oriente Médio, seus testes de mísseis balísticos e suas violações dos direitos humanos.

Em uma recente viagem à Arábia Saudita, grande rival sunita do Irã xiita, Trump havia chamado todas as nações "a isolar o Irã".

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