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Linha Direta

Mais de 140 toneladas de lixo hospitalar são vendidos na China sem tratamento

Áudio 08:48
Restos de sangue em hospital na China
Restos de sangue em hospital na China (Foto: Reprodução)
Por: RFI
12 min

Um novo escândalo de saúde pública assustou os chineses. Depois de meses de investigações, as autoridades descobriram mais de 140 toneladas de lixo hospitalar que estava sendo reciclado sem qualquer tratamento e revendido no mercado interno sob a forma de novos produtos. A quadrilha atuava em pelo menos cinco grandes províncias do país.

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Vivian Oswald, correspondente da RFI em Pequim

Foram mais de 140 toneladas de insumos plásticos usados em hospitais, o que inclui seringas, bolsas de sangue, restos de plásticos com medicação, urina, entre outras substâncias. Esse material vinha sendo reciclado por uma quadrilha desde 2015 e revendido ao consumidor sob novas formas. Eles estariam em produtosque vão de roupas de inverno a copos e pratos descartáveis.

A história veio a público na semana passada, com a prisão de 12 pessoas que haviam sido condenadas por poluição ambiental na província de Hunan. Essas pessoas foram descobertas em uma rede de fornecedores e intermediários pela Internet. O caso teria afetado cinco grandes províncias chinesas: Hunan, Hubei, Guangdong, Hebei e Jiangsu.

Lixo usado no setor da alimentação, médico e construção

Tudo indica que esse material reciclado estaria sendo usado em setores de alimentação, médico e na indústria de construção. Ou seja, dezenas de milhões de pessoas podem ter comprado esses produtos. Como o processo de reciclagem não foi feito com qualquer tipo de acompanhamento especial ou tratamento mais específico, não está descartada a  possibilidade de contaminação nos novos produtos.

Parece que as próprias autoridades se chocaram com as imagens encontradas. Seringas sujas de sangue ressecado, sacos plásticos vazando líquidos dos mas variados. Segundo a mídia estatal chinesa, um grupo de funcionários e um intermediário admitiram ter comprado os dejetos hospitalares de uma estação de lixo por dois mil yuans a tonelada, algo em torno de US$ 300 (cerca de R$ 1114), e que vendiam para outro intermediário por cinco mil yuans, pouco mas de US$ 700 (cerca de R$ 2601).

Vacinas adulteradas

Em abril do ano passado, a polícia já tinha desbaratado uma quadrilha que foi pega reciclando 50 toneladas deste mesmo tipo de material num fundo de quintal na cidade de Gupei. Isso quer dizer que não é a primeira vez que as autoridades chinesas se deparam com casos como estes. Parece que as autoridades estão até mais atuantes. Mas ainda assim os casos são estarrecedores e só aumentam a desconfiança do consumidor chinês, gerando uma espécie de revolta em relação a casos de corrupção e falhas na fiscalização pelo país.

Em março deste ano, a imprensa local já havia revelado o caso das vacinas falsas. A vigilância sanitária teria chegado a uma quadrilha de 300 pessoas atuando em 24 províncias com a produção de dois milhões de vacinas adulteradas. Um negócio de milhões de dólares que resultou na morte de várias crianças.

Quem assistiu as reportagens na TV ficou revoltado. Nas redes sociais, muitas pessoas se manifestaram. Um internauta disse que não tem ideia de como consegue estar vivo até hoje depois de todas essas histórias. Uma outra disse que antes que imperialistas americanos venham exterminar os chineses, eles próprios se encarregarão do serviço.
 

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