Programa ambiental da ONU pede mais esforços da China

Central de carvão nos arredores de Pequim, capital da China
Central de carvão nos arredores de Pequim, capital da China Reuters/Jason Lee

A China, país com maior taxa de poluição no mundo, ainda tem um grande trabalho pela frente na luta internacional contra as mudanças climáticas. A declaração foi feita nesta quarta-feira (9) pelo chefe do programa ambiental da ONU. 

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Após a decisão polêmica de Donald Trump de sair do acordo de Paris sobre o clima, Pequim reafirmou sua vontade de respeitar o pacto e de investir no desenvolvimento de energias limpas. O texto, assinado por 195 países em dezembro de 2015, tem o objetivo de reduzir o aquecimento global.

Os analistas apontam para uma oportunidade única para a nação chinesa reforçar seu poder diplomático. A China repetiu diversas vezes que gostaria de reduzir sua dependência de carvão, após uma piora na qualidade do ar nas principais cidades do país desde o começo de 2017.

Poluição exportada

Além da sujeira dentro de casa, a China também é responsável por vários projetos de centrais de carvão em países mais pobres, gerando uma espécie de exportação da poluição.

De acordo com a ONG ambiental alemã Urgewald, cerca de 250 empresas chinesas estão envolvidas em mais de 1600 projetos de centrais de carvão em escala mundial, chegando a países como o Paquistão ou o Egito, que quase não usavam mais o material.

“Ficar preso a essa tecnologia antiquada é muito perigoso”, alerta Erik Solheim, chefe do programa ambiental da ONU, em visita à Seul para encontrar  autoridades e empresários. “Esses países podem passar décadas dependentes do carvão”.

Investimentos sustentáveis massivos

Para Erik Solheim, o mundo se encontra numa "fase de transformação”, da energia fóssil à energia renovável, e Pequim é um dos agentes principais nesse cenário. A China é o maior investidor em energias renováveis, como a solar ou a eólica. No entanto, 62% de sua produção elétrica ainda vem dessa matéria fóssil produtora de gases de efeito estufa. “A China tem um grande trabalho pela frente se quiser passar do carvão às novas tecnologias”, concluiu Erik Solheim.

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