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África do Sul realiza primeiro leilão online de chifre de rinoceronte

Áudio 06:20
Há anos, a comunidade internacional luta para preservar os rinocerontes - que já foram extintos em vários outros países justamente por causa da caça ilegal.
Há anos, a comunidade internacional luta para preservar os rinocerontes - que já foram extintos em vários outros países justamente por causa da caça ilegal. Foto: Vanessa Da Rocha/ RFI Brasil

O chifre de rinoceronte é um tema que mobiliza a África do Sul. Todos os anos, mais de mil animais são mortos por caçadores que atacam as espécies para remover a peça.

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Na contramão dos acordos de cooperação internacional que proíbem o comércio, um fazendeiro realizou o primeiro leilão online de chifre de rinoceronte do mundo. O empresário que conseguiu essa liberação é o maior criador de rinocerontes da África do Sul. John Hume colocou a disposição do mercado 264 peças - o que equivale a mais de 500 quilos do produto.

O fazendeiro, que tem cerca de 1.500 rinocerontes, vem cortando os chifres dos animais e armazenando em cofres há anos na expectativa de conseguir a liberação para venda. Na semana passada, ele recebeu o aval do Tribunal Superior sul-africano para fazer o leilão. De acordo com os advogados do fazendeiro, o processo teve baixa procura. A quantidade de peças que foram comercializadas não foi divulgada.

Todo ano, na África do Sul, mais de mil animais são mortos por caçadores que atacam as espécies para remover o chifre.
Todo ano, na África do Sul, mais de mil animais são mortos por caçadores que atacam as espécies para remover o chifre. Foto: Vanessa Da Rocha/ RFI Brasil

Liberação é criticada pelos conservacionistas

O leilão foi duramente criticado por grupos de proteção ambiental e militantes da causa de proteção dos rinocerontes. A avaliação é que o leilão estaria visando o lucro, além de prejudicar os esforços pela preservação da espécie.

Já a Associação dos Proprietários de Rinocerontes estima que os fazendeiros gastaram mais de US$ 100 milhões nos últimos oito anos na segurança dos animais e que a venda do produto é importante para investir em medidas que evitem os caçadores e protejam os animais.

A Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (Cites), baniu o comércio da peça no âmbito internacional, mas deixou em aberto para que cada país crie as suas regras para um eventual comércio interno.

A possibilidade de liberação no âmbito internacional também gera discussões. Algumas instituições dizem que comercializar o produto seria uma forma de proteger a espécie, pois a extração do chifre seria feita por veterinários. Por outro lado, outras instituições defendem que a liberação no comércio aumentaria a demanda.

Conservação das espécies está ameaçada

A medicina tradicional chinesa vê um valor medicinal no chifre, mas cientistas já comprovaram que o chifre é composto por queratina, a mesma substância das nossas unhas e cabelos. Os vietnamitas também são consumidores vorazes do produto. Lá, há algumas décadas, se criou uma crença de que o produto poderia curar o câncer. Hoje, o chifre é consumido até mesmo para dor de cabeça ou como afrodisíaco. O produto é raspado e o pó é consumido junto com chá ou durante as refeições.

O último relatório do Grupo Especialista em Rinoceronte da África do Sul indicou que um grama do produto está custando US$ 53, o que torna o produto mais caro do que o ouro, cotado em US$ 42 dólares por grama. O alto valor do chifre desperta a cobiça dos caçadores que já mataram mais de 7 mil rinocerontes na última década.

Atualmente, a população de rinocerontes na África do Sul é de aproximadamente 20 mil animais. São 5 espécies, sendo que 2 já estão criticamente ameaçadas de extinção.

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