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Ministro das Relações Exteriores francês acusa governo sírio de usar cloro contra civis

Civis fogem para um abrigo após bombardeamento na cidade de Douma, na Síria
Civis fogem para um abrigo após bombardeamento na cidade de Douma, na Síria REUTERS/ Bassam Khabieh
Texto por: RFI
2 min

O ministro francês das Relações Exteriores Jean-Yves le Drian declarou nesta quarta-feira (7) que existem fortes indícios do uso de cloro como arma química neste momento na Síria, chamando atenção para a gravidade da situação.

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“Tudo indica que o cloro é usado hoje pelo regime sírio de Bashar al-Assad”, disse à televisão francesa Jean-Yves le Drian. “Eu falo com precaução porque enquanto tudo não for documentado, precisamos ser prudentes”.

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) anunciou nesta quarta-feira (7) que vai investigar todas as alegações recentes sobre o uso de armas químicas contra a população pelo regime de Damasco.

Interrogado sobre a maneira como Paris iria reagir às alegações, ele lembrou que cerca de trinta países acabaram de adotar, seguindo o exemplo da França, medidas para denunciar e sancionar responsáveis de ataques químicos na Síria.

O ministro não fez nenhuma alusão a represálias, por parte da França, caso os ataques com cloro se confirmassem. O presidente francês Emmanuel Macron evocou essa questão quando chegou ao poder em maio de 2017, prometendo “uma resposta imediata” em caso de uso de armas químicas.

Jean-Yves le Drian terminou seu discurso lembrando da iniciativa dos países membros do Conselho de Segurança da ONU de encontrar um meio de contornar o veto russo, que protege o governo sírio de toda e qualquer condenação.

Cloro, produto de fácil acesso

Para Olivier Lepick, pesquisador da Fundação pela Pesquisa Estratégica, o uso do cloro muda toda a dinâmica diplomática no quesito das armas químicas, por ser um produto que pode ser adquirido facilmente e cuja possessão não constitui crime, apenas seu uso enquanto arma. “O cloro é uma substância tóxica que pode se transformar em arma, mas é antes de mais nada um produto de limpeza que faz parte da vida cotidiana de diversos países”, afirma.

“É um produto que não pode ser negado ao governo sírio e cuja aquisição é muito fácil. Ele não é proibido e o governo sírio poderá usá-lo o quanto quiser se continuar seus ataques químicos”. O cloro, apesar de ser menos nocivo que o gás sarin, pode causar entupimento das vias respiratórias. “O sarin é cinco a dez vezes mais tóxico que o cloro”, declara.

Com relação às afirmações de represália do governo americano e do presidente francês Emmanuel Macron, Lepick se diz “perplexo com a ousadia”. “Sempre me choco com as posições dos líderes políticos com relação às armas químicas, porque a mensagem ao regime sírio é basicamente a seguinte: ‘Enquanto vocês massacram suas populações com armas convencionais, está tudo bem, não faremos nada, mas, de repente, porque há um pouco de cloro, isso se torna imediatamente inaceitável’”, pondera o pesquisador.

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