Coreia do Sul/Jogos Olímpicos

Vai ter cachorro no cardápio dos restaurantes nas Olimpíadas da Coreia do Sul

Jovens se fotografam na entrada dos Jogos Olímpicos de Inverno Pyeongchang.
Jovens se fotografam na entrada dos Jogos Olímpicos de Inverno Pyeongchang. REUTERS/Jorge Silva

Um responsável do governo local de Pyeongchang, onde começam nesta sexta-feira (9) os Jogos Olímpicos de Inverno, admitiu que carne de cachorro continua sendo servida nos restaurantes da região. Apesar dos pedidos das autoridades para que a iguaria fosse tirada do cardápio durante o evento, quase todos os estabelecimentos decidiram manter a tradição.

Publicidade

Ativistas intensificaram as campanhas para proibir o consumo de carne de cachorro, com petições on-line e protestos na capital Seul, solicitando o boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno. Diante das tensões, as autoridades locais pediram aos 12 restaurantes que servem esse tipo de alimento parassem de vender esta comida durante a competição, em troca de subsídios.

No entanto, apenas dois estabelecimentos cumpriram com a solicitação, informou o oficial do governo de Pyeongchang, Lee Yong-Bae. "Recebemos muitas queixas dos donos de restaurantes dizendo que a medida afetaria o faturamento. Alguns até substituíram cachorro por porco, mas dizem que as vendas caíram. Por isso retomaram os cães", explicou.

Os anúncios que mostram pratos feitos com carne de cachorro, como o boshintang (“sopa que melhora a saúde”, em tradução livre), o yeongyangtang (“sopa de nutrientes”), ou sacheoltang (“sopa do ano inteiro”), foram substituídos por outros mais neutros, como o yeomsotang (sopa de cabra), para evitar "uma impressão ruim dos estrangeiros" durante os Jogos, continuou Lee Yong-Bae.

Oficialmente, a carne de cachorro, como a de cobra, é classificada como "detestável" por Seul, mas essa designação não tem consequências legais que obriguem o banimento dos cardápios.

Um milhão de cachorros são consumidos por ano no país

As autoridades do país periodicamente tentam persuadir os restaurantes a mudarem seus cardápios, ou retirarem propagandas sugestivas de carne de cachorro, principalmente durante grandes eventos internacionais ocorridos no país. Além disso, a tradição de comer a iguaria vem declinando à medida que a nação abraça cada vez mais a ideia dos cachorros como animais de estimação, fazendo com que, entre os jovens sul-coreanos, comê-los se torne um tabu.

Mesmo assim, estima-se que os sul-coreanos consumam cerca de um milhão de cachorros por ano como uma iguaria de verão. Sua gordurosa carne vermelha é considerada uma rica fonte de energia.

(Com informações da AFP)

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.