Japonesas oferecem chocolate aos homens: descubra o Dia dos Namorados pelo mundo

Casal de namorados na  Índia
Casal de namorados na Índia Getty Images/Hemant Mehta

O “Dia de São Valentim”, comemorado hoje (14) como Dia dos Namorados na Europa, na América do Norte e na Ásia, está longe de ser uma data com costumes homogêneos. Cada povo tem sua maneira de demonstrar afeto e de lembrar ao próximo a importância do amor através de presentes, gestos e palavras.

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Das diversas histórias em torno da tradição, a mais conhecida é a de que São Valentim, padre de Roma, realizava casamentos em segredo num período em que a cerimônia tinha sido banida pelo imperador Claudio II.

Acreditava-se que homens casados se tornavam soldados piores e que, ficando solteiros, eles poderiam servir melhor ao Exército. Valentim acabou sendo descoberto, preso e condenado à morte no ano 270.

A comemoração evoluiu desde sua criação no século V e se popularizou através de músicas, filmes e séries da televisão americana. Hoje, vários países comemoram o dia de “São Valentim” (exceto o Brasil, onde o dia dos namorados ocorre no dia 12 de junho), cada um à sua maneira.

Amor e resistência na Índia

Num país de fortes tradições matrimoniais como é a India, o ideal do amor sem fronteiras e da paixão incontrolável causa furor entre os grupos mais conservadores, que chegam a fazer uso da violência para protestar contra casais que não são oficialmente casados.

Nesse dia 14 de fevereiro, diversas organizações hindus ameaçam atacar os jovens enamorados. Bajrang Dal, uma das mais conhecidas e reputadas por suas ações violentas, “desaconselhou” os restaurantes e bares de organizarem os eventos tradicionais do Dia dos Namorados.

A universidade de Lucknow, capital regional de Uttar Pradesh, declarou o fechamento de suas portas nesta quarta-feira (14). A justificativa: impedir a influência da cultura ocidental entre os jovens indianos “que comemoram o dia de ‘São Valentim’”.

Inspirados talvez na resistência do santo, a ONG “Right to Love” (“Direito ao amor”, em inglês) foi criada em 2015 após a agressão de um casal na região de Maharashtra. Abhijeet Kamble, seu fundador, exigiu dos governantes a criação de um parque reservado aos casais, para que eles possam, enfim, aproveitar a data sem medo.

Ásia: chocolate e macarrão preto

No Japão, nada de cavalheirismo à moda antiga: a responsabilidade da comemoração fica por conta das mulheres, que devem ofertar caixas de chocolates. A tradição é uma verdadeira obrigação social no país e os parceiros românticos não são os únicos galanteados – colegas de trabalho e superiores devem estar na lista de presente das japonesas.

Os homens devolvem o “mimo” no dia 14 de março, chamado de “dia branco”, quando oferecem doces e flores às companheiras. Na Coreia do Sul, a cultura é a mesma que a do Japão, com a diferença de que os solteiros também têm seu momento de glória, comemorado no dia 14 de abril. Chamado de “dia negro”, é uma ocasião para quem está sozinho se reunir e comer macarrão tradicional preto.

Correio elegante

Na Dinamarca, o dia dos namorados é comemorado com uma brincadeira que pode lembrar o “correio elegante” da festa junina. O conceito é simples: o homem escreve um bilhete contendo uma mensagem de amor a sua pretendente, mas ao invés de assinar a cartinha, ele insere um número de pontinhos que corresponde ao das letras de seu nome. Caso a moça descubra quem enviou o correio misterioso, ela se transporta para outro período festivo do ano e ganha um ovo de Páscoa.

Já na Escócia, a tradição sugere que a primeira pessoa do sexo oposto que cruze seu caminho se torna seu namorado. Por razões claras de logística, o costume é apenas simbólico e não existe nenhuma obrigação social por trás da crença popular.

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