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Israel, Síria, Irã, arma nuclear

Israel diz que não deixará inimigos obterem arma nuclear

Nesta captura de vídeo, fornecida pelo governo americano, vemos a destruição do reator nuclear sírio de Al-Kibar em 6 de setembro de 2007.
Nesta captura de vídeo, fornecida pelo governo americano, vemos a destruição do reator nuclear sírio de Al-Kibar em 6 de setembro de 2007. © Wikimedia Commons
Texto por: RFI
4 min

O primeiro-ministro de Israel afimou nesta quarta-feira (21) que o país não deixará seus inimigos adquirirem armas atômicas. O comunicado veio algumas horas depois que Israel reconheceu, pela primeira vez, ter bombardeado um reator nuclear na Síria em 2007. 

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"O governo israelense, o exército e o Mossad (serviço de inteligência do país) impediram que a Síria desenvolvesse uma capacidade nuclear," afirmou Benjamin Netanyahu no Twitter. "A posição israelense foi e permanece constante: impedir que nossos inimigos adquiram a arma nuclear", acrescentou.

Não havia muitas dúvidas sobre a participação de Israel no ataque contra a usina de Al-Kibar, na província oriental de Deir Ezzor, mas essa é a primeira vez que o país assume abertamente a responsabilidade pelo ataque.

Em um comunicado, Israel afirma que "durante a noite do dia 5 para 6 de setembro de 2007, aviões da força aérea israelense atingiram e destruíram um reator nuclear sírio em desenvolvimento". "O reator estava a ponto de ser concluído. A operação permitiu suprimir uma ameaça emergente para Israel e toda a região", acrescenta o comunicado.

A admissão do ataque à usina de Al-Kibar veio acompanhada de detalhes agora desclassificados sobre a operação "Orchard", que deflagrou um estado de alerta nas Forças Armadas diante da possibilidade de uma guerra.

Quatro F-15 e quatro F-16 participaram do ataque. Imagens do bombardeio revelam a mira de um dos aviões se fixando em uma ampla estrutura, que explode logo depois. O suposto reator "foi totalmente desativado e os danos causados foram irreversíveis", destaca o comunicado.

Aviso ao Irã

Segundo o ministro da defesa israelense, Avigdor Lieberman, ao admitir o ataque, Israel manda uma mensagem a toda a região. "A potência de nossas Forças Armadas, de nossa Aeronáutica e de nossas capacidades aumentaram em relação a 2007. Todos no Oriente Médio devem levar em consideração esta equação", advertiu Lieberman em um comunicado. "Se não tivéssemos atuado, hoje teríamos uma Síria nuclear", completou. Por sua parte, o ministro dos Serviços de Inteligência, Yisrael Katz, afirmou, no Twitter, que a operação permitiu "entender que Israel não aceitará jamais que a arma nuclear caia nas mãos dos que ameaçam sua existência, Síria ontem, Irã, hoje".

O reconhecimento coincide com a multiplicação das advertências por parte de Israel contra o reforço da presença militar iraniana na Síria e os apelos, pricipalmente por parte do presidente americano Donald Trump, para se modificar ou anular o acordo nuclear firmado entre as grandes potências e o Irã em 2015

Durante os sete anos de guerra na Síria, Teerã tem ajudado o regime do presidente Bashar al-Assad com armas e soldados. Israel teme que o país esteja usando o conflito para transferir armamentos para o Hezbollah, o movimento xiita libanês, e estabelecendo bases militares na Síria. 

Síria nega existência de reator

A Síria sempre negou a existência de um reator nuclear em Al-Kibar. Segundo o presidente sírio, o bombardeio israelense havia atingido um edifício militar abandonado. No entanto, a Organização Internacional de Energia Atômica (OIEA) considerou em 2011 "muito provável" a existência do reator, que teria sido construído com o suposto auxílio da Coreia do Norte.

"Um reator nuclear nas mãos de Assad teria provocado graves repercussões no conjunto do Oriente Médio", assinala o comunicado do Exército hebreu.

Síria e Israel se enfrentaram em várias ocasiões desde a criação do Estado israelense em 1948 e continuam tecnicamente em guerra. Israel tenta manter-se à margem do conflito sírio, que explodiu em 2011, mas realizou pelo menos 100 bombardeios pontuais desde 2013 contra posições do regime ou comboios de armas destinadas ao Hezbollah. 

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