Terrorismo

Família suicida usa os quatro filhos para atacar igrejas na Indonésia

A polícia examina uma das igrejas atacadas pelos terroristas, o Centro Pentecostal de Surabaya.
A polícia examina uma das igrejas atacadas pelos terroristas, o Centro Pentecostal de Surabaya. JUNI KRISWANTO / AFP

Três atentados com explosivos contra três igrejas de Surabaya, segunda maior cidade da Indonésia, deixaram ao menos 11 mortos e 41 feridos. Os ataques foram executados por uma família kamikaze: a mãe, o pai, duas filhas de 9 e 12 anos e dois filhos de 16 e 18 anos. Eles tinham retornado há pouco tempo da Síria, disse o porta-voz da polícia indonésia.

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Segundo o chefe da polícia nacional, Tito Karnavian, a família suicida era ligada à rede extremista Jamaah Ansharut Daulah (JAD), aliada do grupo Estado Islâmico (EI) na região. A organização ultrarradical sunita assumiu a autoria dos atentados em um comunicado divulgado por sua agência de propaganda, a Amaq. "Três ataques kamikazes" deixaram os mortos e feridos "entre os guardiões de igrejas e cristãos na cidade de Surabaya", diz a mensagem do EI.

As explosões aconteceram por volta de 7h30, no horário local. A Igreja de Santa Maria foi a primeira visada, no intervalo entre duas missas. O kamikaze chegou ao local em uma motocicleta. Na sequência, um carro-bomba foi utilizado contra a Igreja Pentecostal de Surabaya. A terceira explosão, na Igreja Cristã Indonésia, aconteceu quando um agente de segurança do templo barrou duas mulheres que usavam o véu islâmico.

Eventos interligados?

A Indonésia, país muçulmano mais populoso do mundo, está em estado de alerta contra o terrorismo após uma série de ataques nos últimos anos. Alguns deles foram reivindicados pelo EI; outros foram executados pela rede local JAD.

A ação terrorista deste domingo acontece poucos dias depois de detentos ligados aos islamitas terem matado cinco membros das forças de elite antiterroristas, durante uma rebelião de 36 horas em uma prisão de segurança máxima nos arredores de Jacarta, a capital do país. A polícia suspeita de uma conexão entre as duas ações.

Depois de visitar feridos nos hospitais, o presidente indonésio, Joko Widodo, condenou o que chamou de "ataques bárbaros". "Dei instruções à polícia para desmantelar as redes ligadas a esses agressores", acrescentou Widodo durante uma coletiva de imprensa.

Cerca de 90% da população indonésia é de confissão muçulmana, mas o país também conta com importantes comunidades hindus, cristãs e budistas.

Com agências internacionais

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