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Birmânia/rohingyas

Trem em Myanmar tem vagão só para rohingyas, minoria muçulmana perseguida no país

Refugiados rohingyas tentam atravessar Bangladesh em 12 novembre 2017
Refugiados rohingyas tentam atravessar Bangladesh em 12 novembre 2017 REUTERS/Mohammad Ponir Hossain
Texto por: RFI
3 min

Apesar do êxodo em massa da minoria muçulmana, 300 mil membros da comunidade rohingyas ainda vivem na Birmânia. Entre os vilarejos budistas de Sittwe e Zaw Pu Gyar, um trem circula com um vagão reservado só para eles, como mostra uma reportagem publicada pela revista “M”, do jornal Le Monde.

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O trem atravessa todos os dias os campos e os vilarejos rohingyas antes de chegar, em 45 minutos, à cidade de Zaw Pu Gyar. Ele poderia representar uma ponta de esperança em meio ao massacre cometido contra a minoria, que nos últimos seis anos já deixou pelo menos 6.700 mortos e obrigou 700.00 pessoas a deixarem Myanmar em direção ao Bangladesh. Mas, no fim, ele é o espelho do apartheid que separa os rohingyas dos budistas que vivem na região. Os passageiros são escoltados pela polícia.

Um dos soldados explicou ao repórter do jornal francês que o objetivo é “protegê-los”. Eles só podem entrar em outros vagões ocupados por budistas se o compartimento reservado à minoria estiver completo. Os rohingyas também não têm direito de se sentar e devem ceder a poltrona aos budistas.

A ONU, que qualificou os ataques contra os rohingyas de “genocídio”, não consegue adotar uma resolução contra a segregação por conta dos vetos da China, membro permanente do Conselho de Segurança. Aung San Suu Kyi, ícone da democratização em Myanmar, já declarou apoiar as Forças Armadas, recusando o compromisso assumido a favor das minorias do país quando chegou ao poder.

A Corte Penal Internacional acaba, por sua vez, de se considerar competente para julgar a deportação dos rohingyas para o Bangladesh crimes contra a humanidade. O destino dos 300 mil membros da minoria que continuam no país, entretanto, é uma incógnita.

Confinados em campos

Desde 2012, os rohingyas são confinados em campos e vilarejos unicamente muçulmanos. Neste ano, os boatos envolvendo o estupro de uma mulher do estado do Arracão, maioria no país, dá início a uma série de tumultos contra os muçulmanos, levando ao deslocamento de 140 mil pessoas. Esse episódio marca a segregação ativa no Estado.

Os muçulmanos foram expulsos de Sittwe e suas lojas foram fechadas ou destruídas. Antes eles representavam 40% da população, mas hoje não há sinais da presença deles. Apenas uma mesquita no centro, fechada desde 2012. As ONGS presentes no país tem a ação limitada, descreve a reportagem. Uma voluntária, que preferiu não se identificar. “Temos que pedir autorizações para nos deslocarmos todos os meses. Impossível saber se elas serão aceitas ou não”.

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