Massacre/China

Para imprensa oficial, massacre da praça Tiananmen há 30 anos "imunizou a China"

Protesto pró-Democracia na Praça Tiananmen, Pequim, China 17 de maio de 1989.
Protesto pró-Democracia na Praça Tiananmen, Pequim, China 17 de maio de 1989. REUTERS/Carl Ho/File Photo

A violenta repressão aos protestos na Praça Tiananmen (Paz Celestial) em 1989 "imunizou a China" contra a agitação política, afirma nesta segunda-feira (3) o jornal oficial Global Times, em um raro editorial sobre o tema, que ainda é tabu no país.

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A publicação em língua inglesa, próxima do Partido Comunista, considera que o "incidente" de 4 de junho de 1989 "se tornou um fato histórico esquecido", e que esse esquecimento permitiu à China seguir com seu desenvolvimento econômico espetacular.

"Depois do incidente, a China conseguiu se transformar na segunda economia mundial, com uma rápida melhora do nível de vida", completa o jornal, enquanto o restante da imprensa não mencionou o aniversário da repressão.

"Vacinando a sociedade chinesa, o incidente de Tiananmen aumentou enormemente a imunidade da China contra qualquer problema político futuro", afirmou o jornal, cujo editorial não foi publicado na edição em chinês e não aparecia no site do Global Times.

Madrugada sangrenta

Na madrugada de 3 para 4 de junho de 1989, os tanques do exército chinês encerraram brutalmente sete semanas de manifestações, que tinham como epicentro a Praça da Paz Celestial, a imensa esplanada no coração de de Pequim.

A repressão, que provocou centenas ou mais de mil mortes - dependendo da fonte -, permanece um tabu na China. Um balanço oficial de vítimas nunca foi divulgado.

"A China de hoje claramente não tem as condições políticas (necessárias) para reproduzir repentinamente os distúrbios de 30 anos atrás", opina o editorial do Global Times, para quem a sociedade "está farta de tragédias políticas na União Soviética, Iugoslávia e alguns países árabes".

Em Cingapura, o ministro da Defesa da China, o general Wei Fenghe, repetiu no domingo (2) a linha oficial do regime sobre Tiananmen e declarou que as autoridades da época tomaram "uma decisão correta" ao enviar tanques contra a concentração pacífica, que na ocasião foi descrita pelo regime como um "motim contrarrevolucionário".

"Os últimos 30 anos demonstraram que a China experimentou grandes mudanças", declarou em um fórum internacional. Graças às medidas adotadas na ocasião pelo governo, a "China goza de estabilidade e desenvolvimento", completou. Os comentários não foram divulgados pela imprensa chinesa.

Taiwan condena

O governo de Taiwan emitiu, por sua vez, uma condenação mais firme que a habitual sobre os eventos de 1989. Em um comunicado, o organismo encarregado das relações com o regime comunista estimou que Pequim deveria "sinceramente mostrar arrependimento" e "se envolver ativamente em reformas democráticas".

"Pedimos veementemente às autoridades chinesas que enfrentem seus erros históricos e apresentem um pedido de desculpas sincero o mais rápido possível", disse a organização.

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