Hong Kong decide manter lei sobre extradições em meio a protestos

Imagem dos protestos contra legislação sobre extradições para a China continental.
Imagem dos protestos contra legislação sobre extradições para a China continental. © Reuters

O governo de Hong Kong, favorável às políticas de Pequim, decidiu nesta segunda-feira (10) manter o projeto de lei que poderá autorizar extradições para a China continental. O anúncio foi feito no dia seguinte a uma manifestação gigante contra a legislação.

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“É uma lei importante que vai permitir um triunfo da justiça e assegurará o respeito das obrigações internacionais em matéria de criminalidade nas fronteiras”, afirmou Carrie Lam, chefe do executivo de Hong Kong. Se aprovado, esse texto, considerado controverso, permitirá extradições para localidades com as quais não existe nenhum acordo bilateral.

Carrie Lam também argumentou que o governo já fez diversas concessões para assegurar que as liberdades individuais sejam protegidas em Hong Kong. “Minha equipe não ignorou as opiniões sobre essa lei. Nós escutamos com muita atenção”, disse à imprensa.

No domingo (9), uma impressionante mobilização agitou as ruas da ex-colônia britânica para denunciar uma “justiça opaca e parcial”. Segundo os organizadores, um milhão de pessoas estiveram presentes, enquanto a polícia contabilizou 240 000. Essa foi a segunda maior manifestação desde 1997. A oposição já fez um apelo para um novo protesto no dia 12 de junho.

Mídias silenciosas ou bloqueadas

"Estou com muita raiva do governo. Eles não escutam a opinião do povo, fazem só o que querem. Estão ignorando a maioria de Hong Kong”, afirmou um manifestante ouvido pela RFI. Lee Wing Tat, ex-deputado e presidente do Partido Democrático, diz que, “se o governo não mudar nada, em duas semanas, quando a lei for analisada, vai ser ainda pior. O povo não vai cruzar os braços.”

“Queremos uma sociedade justa. O que eles estão fazendo não está certo. Eles não escutam o povo e ninguém sabe o que pode acontecer. Ninguém se sente seguro”, afirmou uma enfermeira aposentada à RFI.

Na China continental, a imprensa estatal inglesa condena as “forças estrangeiras hostis” que buscam destruir o país. Já o jornal China Daily afirmou que “a oposição e seus aliados estrangeiros querem semear o caos em Hong Kong”. Enquanto isso, boa parte das mídias locais, como o Cotidiano do Povo ou a agência China Nova, decidiram ignorar a manifestação de domingo.

Enquanto isso, os sites do Washington Post e do Guardian estão bloqueados no país. Nesta segunda-feira, a página da BBC ficou inacessível após uma menção aos protestos contra o projeto de lei.

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