Hong Kong/ Eleições

Em Hong Kong, eleição local é transformada em referendo contra o governo

File d'attente devant un bureau de vote de Hong Kong, le 24 novembre 2019.
File d'attente devant un bureau de vote de Hong Kong, le 24 novembre 2019. REUTERS/Athit Perawongmetha

Após seis meses de manifestações, espera-se um recorde de mobilização para as eleições, neste domingo (24), em Hong Kong. Mais de 4 milhões de eleitores devem escolher seus conselheiros distritais. Uma eleição local, que o campo pró-democracia gostaria de transformar em referendo contra o governo. Nesta manhã, muitos correram para votar, temendo que incidentes ocorressem durante o dia.

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A cena é a mesma em toda parte, diz o enviado especial da RFI em Hong Kong, Stéphane Lagarde. Nos 18 distritos de Hong Kong, multidões cercam os arranha-céus. Há longas filas na frente de escolas, administrações e ginásios, transformados em assembleias de voto, com eleitores ávidos para votar.

Quase metade dos 4,13 milhões de inscritos já havia comparecido às urnas às 16h (horário local). Gloria, uma funcionária de finanças, sorri, pois ela nunca viu isso.

"Não é normal. Eu voto desde os 18 anos e é a primeira vez que faço fila. É também a primeira vez que podemos expressar nossa opinião de maneira mais pacífica, para mostrar o que realmente queremos", diz Gloria.

Alguns vieram em família; cadeiras foram trazidas para as calçadas para permitir que os mais velhos descansassem.

"Vote cedo"

Shum Wai Nam é um dos observadores dos direitos civis encarregados de supervisionar a boa conduta das eleições: "Muitos disseram que votaram cedo esta manhã porque não sabemos o que pode acontecer. Essa mobilização não é comum em eleições locais, mas desta vez o povo de Hong Kong quer usar seu voto como referendo contra o governo".

Um referendo contra o Executivo? Um total de 450 conselheiros distritais exibem seus rostos ao lado de um número nas faixas próximas às assembleias de voto. Mas, entre os eleitores, é difícil saber quem vota em quem. Foram enviadas instruções aos grupos de mensagens do Telegram pedindo se para evitar o uso de roupas pretas, uma marca dos protestos de Hong Kong.

O ativista da Anistia Internacional pede cautela: "Eu não aconselho as pessoas a usarem preto para votar, porque elas correm o risco de serem alvejadas pela polícia. E é também uma maneira de o campo pró-governo contar os oponentes e mobilizar suas tropas de acordo", avisa.

O campo pró-governo também está mobilizado para esta eleição. Comentários na internet informaram que os escritórios poderiam ser fechados no final da manhã em caso de incidentes que interrompessem a contagem de boletins. Um boato negado pelo escritório eleitoral.

Finalmente, a rádio pública já relatou algumas irregularidades. Principalmente os eleitores que foram informados quando chegaram à mesa de voto que já haviam votado, relata o correspondente da RFI em Hong Kong, Florence de Changy.

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