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Conferência do Clima da ONU

Mercado de carbono e financiamento de países ricos aos pobres travam a COP 25

Vice-presidente da Comissão Europeia e encarregado do Clima Frans Timmermans
Vice-presidente da Comissão Europeia e encarregado do Clima Frans Timmermans REUTERS/Nacho Doce
Texto por: Lúcia Müzell
4 min

A Conferência do Clima de Madri se aproxima do final, mas as negociações sobre a implementação do Acordo de Paris sobre o Clima se encaminham para um impasse. Integrantes de diferentes delegações já reconhecem que as reuniões não devem terminar nesta sexta-feira (13), como previsto, mas sim avançar por mais um ou até dois dias.

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A delicada definição sobre como vai funcionar um mercado de carbono entre os países, o ponto mais controverso desde o início da conferência, permanece sem solução. Em resumo, esse mercado vai permitir com quem os países que têm dificuldades de atingir suas metas de redução de gases de efeito estufa possam compensar com a compra de créditos de CO2 de outros países que superaram os seus objetivos – em geral, os que possuem grandes áreas florestais, como o Brasil. As florestas são as maiores captoras de carbono da atmosfera.

Vários tipos de cálculos para concretizar essa comercialização estão na mesa de negociações. No entanto, os europeus são categóricos: não aceitarão uma proposta defendida por países como o Brasil, que resultaria em dupla contagem dos créditos de carbono, tanto para o país que cede quanto pelo que adquire. A analogia com a venda de um bem tem sido usada na COP 25: não se pode vender um carro e ele permanecer no nome do vendedor e do comprador, ao mesmo tempo.

Nesta tarde, o líder do Parlamento Europeu nas negociações, Bas Eickhout, foi taxativo: disse que o bloco "prefere não ter acordo do que ter um acordo ruim” a respeito do Artigo 6, que delimita a questão no Acordo de Paris. "Da perspectiva europeia, o mais importante é que a integridade do Acordo do Paris permaneça intacta”, frisou o eurodeputado Verde. "Quando pensamos num acordo ruim [sobre o Artigo 6], acho que uma das partes mais importantes é que devemos realmente evitar qualquer tipo de dupla contagem. É muito, muito importante evitar isso e vamos nos assegurar de que será evitado.”

Financiamento para os países pobres

Por outro lado, os europeus disseram compreender a insatisfação dos países emergentes, que esperam decisões sobre o futuro do financiamento prometido pelos países ricos. O compromisso, firmado no Acordo de Paris, era providenciar US$ 100 bilhões ao ano para ajudar os países pobres a combater e se adaptar às mudanças climáticas, a partir do ano que vem. Porém, não apenas o valor estacionou em US$ 70 bilhões até agora, como não existe uma definição sobre como esses fundos serão concretizados a longo prazo.

"Se queremos que o mundo avance nessa questão, temos que mostrar a solidariedade dos ricos com os países que enfrentam desafios em mitigação e adaptação, como lhes foi prometido em Paris e depois. Um dos problemas é que há uma lacuna de previsibilidade de que compromisso será esse: o financiamento dos países ricos será mantido a longo prazo?”, avaliou Frans Timmermans, vice-presidente da Comissão Europeia e encarregado do Clima. "É do interesse de todos criar uma previsão de longo prazo. As medidas de adaptação são extremamente caras e precisam ser tomadas. Isso ajudaria a chegar a um acordo”, complementou.

Nível de ambição para evitar catástrofe climática

Outro ponto delicado é o do aumento da ambição dos países para evitar que o aquecimento do planeta chegue a 2°C até o fim deste século. O Acordo de Paris, firmado em 2015, previa que os países apresentariam novas propostas de redução de emissões no máximo até 2020, quando o tratado entra em vigor. Com os compromissos atuais, os cientistas alertam que o mundo caminha para um aquecimento de 3,2°C, o que seria catastrófico para pequenas ilhas e países mais vulneráveis.

Entretanto, até o momento, apenas 73 países afirmaram que vão elevar o grau de ambição dos seus objetivos – Estados que, juntos, representam somente 10% das emissões globais de CO2 e outros gases. Os maiores poluidores, como a China, não colocaram nada mais sobre a mesa – tampouco o Brasil, o sétimo maior emissor.

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