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Carlos Ghosn/ Líbano

Empresa de segurança privada teria organizado fuga rocambolesca de Carlos Ghosn

Carlos Ghosn deixou a cadeia em Tóquio em 25 de abril de 2019 sob os olhares da imprensa, acampada diante da prisão
Carlos Ghosn deixou a cadeia em Tóquio em 25 de abril de 2019 sob os olhares da imprensa, acampada diante da prisão REUTERS/Issei Kato
Texto por: RFI
3 min

Dois membros da comitiva do executivo franco-líbano-brasileiro Carlos Ghosn confirmaram nesta quarta-feira (1) à agência de notícias Reuters que foi uma empresa privada que orquestrou sua a fuga e lhe permitiu escapar da vigilância rigorosa das autoridades japonesas.

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Em prisão domiciliar desde abril em um prédio localizado em Tóquio, o ex-CEO da Renault-Nissan conseguiu deixar o território japonês e ingressar no Líbano. Ghosn tem nacionalidade libanesa e o país não tem convenção de extradição com o Japão.

Segundo uma das fontes da Reuters, Carlos Ghosn foi recebido assim que chegou ao Líbano pelo presidente Michel Aoun, que o recepcionou calorosamente no palácio de Baabda, sua residência oficial.

Alguns meios de comunicação libaneses sugeriram que Carlos Ghosn havia se escondido em uma caixa-baú, teoricamente destinada a transportar instrumentos musicais. A esposa do executivo negou à Reuters esta versão, enquanto se recusava a revelar os detalhes da fuga rocambolesca.

As declarações das duas fontes da Reuters tendem a demonstrar que o ex-CEO aprofundou os detalhes de seu plano de fuga com o apoio de uma empresa de segurança privada. Ele teria sido retirado do Japão por meio de um jatinho privado que fez escala em Istambul, de onde ele então foi para o Líbano.

Operação profissional

"Esta é uma operação muito profissional, do começo ao fim", disse uma das fontes da Reuters, acrescentando que o mesmo piloto da aeronave desconhecia sua presença a bordo.

Em um breve comunicado divulgado na terça-feira (31), Carlos Ghosn justificou sua fuga pelo tratamento que recebeu e denunciou a justiça japonesa como  "parcial".

As autoridades de Beirute anunciaram que ele havia entrado legalmente no território libanês, carregando seu passaporte francês e sua carteira de identidade libanesa, um anúncio que levanta questões, já que Carlos Ghosn deveria ter entregue seus três passaportes (francês, libanês e brasileiro) a seus advogados.

Prisão

Ele foi preso no Japão em novembro de 2018 por acusações de peculato financeiro quando era CEO da Nissan, acusações que sempre negou. Seu julgamento está marcado para 2020.

Carlos Ghosn foi libertado em março passado em troca de uma fiança de um bilhão de ienes (cerca de € 7,9 milhões ou R$ 35,6 milhões) antes de ser preso novamente pela justiça japonesa e colocado em prisão domiciliar em abril com a proibição de deixar o país.

No Japão, predomina um sentimento de espanto mesmo entre os advogados que o defenderam. A fuga de Ghosn pode ter repercussões no sistema judicial, estimam vários especialistas.

"Profissionais do direito e membros do legislativo precisam pensar rapidamente sobre novas medidas para impedir que essas fugas aconteçam novamente", disse Yasuyuki Takai, ex-promotor.

(Com informações da AFP)

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