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Áustria/ Aliança

Áustria: aventura política começa para a dupla eco-conservadora

O conservador Sebastian Kurz cria aliança inédita com os "Verdes".
O conservador Sebastian Kurz cria aliança inédita com os "Verdes". REUTERS/Leonhard Foeger
Texto por: RFI
4 min

Após o fracasso de sua aliança com a extrema-direita, o conservador austríaco Sebastian Kurz retorna ao poder ao lado dos Verdes e promete reconciliar "o melhor dos dois mundos" ao "proteger as fronteiras e o clima".

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Três meses após as eleições legislativas de 29 de setembro, vencidas pelo chanceler, a Áustria experimentará uma aliança inédita entre o ÖVP, peso pesado da política nacional, e o partido Die Grünen.

As duas siglas anunciaram na quarta-feira (1°) à noite que selaram um acordo de coalizão, após várias semanas de negociações. No caso dos Verdes austríacos, essa entrada no governo é inédita. Para o jovem líder de direita, de 33 anos, a nova aliança marca uma virada de 180° desde que escolheu, há dois anos, governar com a extrema-direita (FPÖ).

O programa de coalizão, que se concentrará no meio ambiente, prevê que as emissões de carbono sejam neutras na Áustria até 2040. A medida fará do país um "precursor" na Europa, que estabeleceu 2050 como meta para alcançar esse objetivo.

Da mesma forma, o programa de 300 páginas também dá grande importância à segurança e às medidas contra a imigração ilegal, os principais eixos da campanha OEVP. "A luta contra a imigração ilegal continua no centro da minha política", reiterou Kurz, satisfeito com um programa que "consegue combinar o melhor" dos dois partidos.

Experimento ousado

"Acordo histórico selado", anunciou o jornal "Kurier", nesta quinta-feira (02). Já o jornal de esquerda "Standard" descreveu a coalizão como um "experimento ousado" e uma "aventura política".

O partido de Sebastian Kurz manterá o controle dos Ministérios do Interior, Finanças e Relações Exteriores. Já os Verdes deverão ter quatro pastas. Entre elas, está um "superministério" do Meio Ambiente, que absorverá Transportes, Energia e Tecnologia. De acordo com a imprensa local, os Verdes também ficarão com Justiça, Assuntos Sociais e Cultura. Werner Kogler, líder dos ambientalistas, será vice-chanceler.

A Alemanha e outros países podem vir a seguir o exemplo da Áustria. Os partidos vêm tentando responder os sentimentos cada vez mais populistas dos eleitores, assim como as preocupações com as mudanças climáticas, em meio a gigantes manifestações de estudantes, convocadas pela jovem ativista Greta Thunberg.

Nas pesquisas de setembro na Áustria, o meio ambiente substituiu a imigração como a principal preocupação dos eleitores, dando aos Verdes o melhor resultado de todos os tempos (13,9%). Já a OEVP obteve 37,5%, uma vez que os eleitores decepcionados do Partido da Liberdade (FPOE), da extrema-direita, contaminados pelo escândalo, foram para o partido de Kurz.

Políticas anti-imigração

Caberá aos quase 280 delegados dos Verdes dar a aprovação final ao acordo em um Congresso partidário no sábado (04). Espera-se que o acordo seja aprovado, embora várias cláusulas possam ser difíceis de serem aceitas pelos Verdes. Entre elas, a introdução de prisão preventiva e a extensão da proibição do véu nas escolas para meninas de 10 a 14 anos de idade.

Kurz criou um Ministério da Integração, liderado por um especialista em direito, que já trabalhava na proibição de cobrir o rosto com burca, ou niqab.

O colunista Eric Frey, do jornal "Standard", escreveu que Kurz e Kogler precisarão ter uma "habilidade como poucos políticos antes deles", se surgirem problemas complicados, como um aumento no número de solicitantes de asilo, um agravamento das mudanças climáticas, ou uma recessão econômica.

Os líderes da oposição já criticaram a nova coalizão. Os socialdemocratas (SPOE) questionaram seu compromisso com os trabalhadores, enquanto o FPOE alertou para um relaxamento das políticas anti-imigração.

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