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Linha Direta

Autoridades turcas abrem inquérito para investigar fuga de Carlos Ghosn

Áudio 04:46
Imprensa faz plantão em frente à cas de Carlos Ghosn, em um bairro rico da capital libanesa, em Beirute
Imprensa faz plantão em frente à cas de Carlos Ghosn, em um bairro rico da capital libanesa, em Beirute ANWAR AMRO / AFP
Por: RFI
9 min

As autoridades turcas anunciaram a abertura de um inquérito nesta quinta-feira (2) sobre como o ex-CEO da Nissan e Renault, Carlos Ghosn, transitou por Istambul durante sua fuga para o Líbano a bordo de um jatinho particular. A informação foi divulgada pelo canal de TV NTV.

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De acordo com o canal, sete pessoas foram detidas na Turquia para interrogatório, incluindo quatro pilotos. Ghosn, que tem nacionalidade libanesa, conseguiu fugir para o país mesmo estando em prisão domiciliar no Japão, onde aguardava seu processo, que deve ocorrer em 2020. Preso em novembro de 2018 e acusado de fraudes financeiras quando estava no comando da Nissan, Ghosn, que se diz inocente, denunciou a “parcialidade” da Justiça japonesa em um comunicado divulgado nesta terça-feira (31).

Para fugir, Ghosn é suspeito de ter utilizado um jato particular que teria decolado do aeroporto de Kansai, no oeste do Japão. Segundo a imprensa japonesa, uma aeronave deste modelo teria deixado o país no dia 29 de dezembro, às 23h, em direção a Istambul. A aterrissagem teria acontecido no aeroporto de Atatürk, fechado para voos comerciais.

Nesta quinta-feira, a justiça japonesa realizou uma busca na residência de Ghosn em Tóquio. Duas pessoas próximas ao ex-CEO da Nissan disseram nesta quarta-feira que ele foi ajudado por uma empresa privada em sua fuga. Até agora, as autoridades japonesas não comentaram oficialmente o caso.

Representantes em Beirute declararam que Ghosn, que tem nacionalidade francesa, libanesa a brasileira, entrou no país com um passaporte francês. Um de seus advogados disse que a Justiça japonesa tinha os três passaportes de seu cliente. O canal NHK, entretanto, disse que o empresário obteve um novo passaporte francês, que teria sido obtido meses antes de sua fuga.

A França já se pronunciou sobre o caso. Nesta quinta-feira (2), a secretária de Estado francês para a Economia, Agnès Pannier-Runacher, declarou que o ex-patrão da Renault não será extraditado se vier para a França. “A França nunca extradita seus cidadãos, então aplicaremos a Ghosn as mesmas regras que aplicamos para todos. Não é por isso que achamos que ele não deva ser julgado pela Justiça japonesa”, declarou, em entrevista ao canal BFMTV.

Segundo passaporte

De acordo com o canal NHK, as autoridades japonesas permitiram que ele guardasse uma cópia de seu passaporte francês em um cofre trancado a chave – que estava com seus advogados. A imprensa japonesa está mobilizada em busca de respostas a diversas perguntas sobre a fuga mirabolante do empresário. Diversos veículos, entretanto, estão retratando a partida do executivo como um “ato covarde” e um desrespeito à justiça japonesa, segundo a correspondente da RFI em Tóquio, Juliana Sayuri.

Também foram divulgadas diversas teorias sobre a saga: Ghosn teria escapado escondido dentro de uma caixa de instrumentos musicais, depois de um concerto que foi feito na sua residência dias antes; ou teria fugido disfarçado e munido de um passaporte falso; ou teria contando com um serviço de segurança particular da Turquia ou do Líbano. Segundo a agência Reuters, também teria se encontrado com o presidente libanês Michael Aoun – informação negada por um assessor de imprensa da presidência.

Livre e feliz

Ghosn atualmente estaria em sua casa em Beirute, ao lado da família, “livre e feliz”. “Agora posso finalmente me comunicar livremente com a mídia e estou ansioso para começar na próxima semana”, sinalizou, em nota à imprensa. Está marcada uma conferência de imprensa para 8 de janeiro, na capital libanesa.

Carlos Ghosn, de 65 anos, é acusado de não declarar o equivalente a mais de 160 milhões de reais às autoridades fiscais japonesas entre 2010 e 2015, desvio de dinheiro e uso indevido de bens da Nissan. O ex-executivo, que esteve à frente da aliança entre as montadoras Renault, Nissan e Mitsubishi, era considerado um titã da indústria automobilística. Se considerado culpado das acusações, o réu pode ser condenado a até 10 anos de prisão e ao pagamento de multa de 700 milhões de ienes (cerca de R$ 25 milhões).

 

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