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Carlos Ghosn/ Fuga

Novos detalhes sobre a fuga de Carlos Ghosn são revelados por câmeras de segurança

A ministra da Justiça do Japão, Masako Mori, fala a repórteres em Tóquio, Japão, em 6 de janeiro de 2020.
A ministra da Justiça do Japão, Masako Mori, fala a repórteres em Tóquio, Japão, em 6 de janeiro de 2020. Kyodo/via REUTERS
Texto por: RFI
5 min

A imprensa japonesa revelou novos detalhes nesta segunda-feira (6) sobre a fuga de Carlos Ghosn. O empresário franco-líbano-brasileiro teia viajado em um trem comum de Tóquio para Osaka na companhia de duas pessoas ainda não identificadas pela polícia local.

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Foi a análise de imagens de câmeras de vigilância instaladas por toda a cidade que possibilitou traçar sua jornada antes de sua partida do Japão, explicou o canal público de televisão NHK, citando fontes próximas à investigação.

Carlos Ghosn deixou sua casa a pé em 29 de dezembro e foi para um grande hotel em Tóquio a menos de um quilômetro, onde encontrou duas pessoas, segundo esses dados.

Depois, os três pegaram um trem de alta velocidade juntos na estação Shinagawa (parte sul de Tóquio) para ir para Osaka (oeste do Japão), onde chegaram no início da noite no mesmo dia.

Em Osaka, Ghosn e seus acompanhantes teriam chegado a um hotel perto do Aeroporto Internacional de Kansai de táxi. Era então por volta das 20h locais, de acordo com os horários transmitidos pelo NHK.

Deste hotel, os dois cúmplices saíram com duas malas grandes por volta das 22h30, mas Carlos Ghosn não estava com eles. Segundo os investigadores citados pela mídia, ele já estava escondido em uma das malas-baú, do tipo usado para transportar equipamentos de áudio para shows.

Passou como bagagem no aeroporto

Assim, ele poderia ter passado nos vários controles não como passageiro, mas como bagagem, sujeito a uma verificação menos rigorosa no caso de voos em jato particular.

O raio-x de bagagem não é obrigatória no Japão para este tipo de aeronave, que está menos exposta ao risco de bombas ou tomada de reféns, ao contrário dos aviões comerciais, disse um porta-voz do Ministério dos Transportes do Japão.

O jornal econômico americano de negócios Wall Street Journal já havia informado que uma caixa preta de equipamento de áudio com cantos de metal reforçado e montada em rodízios foi encontrada por investigadores turcos em um dos jatos usados.

A polícia japonesa está atualmente buscando confirmar a identidade das duas pessoas que acompanharam o magnata do indústria automobilística.

Preso no Japão por suposto desfalque financeiro, o ex-chefe da Renault e Nissan foi libertado sob fiança no final de abril de 2019, mas foi proibido de deixar o Japão enquanto aguardava julgamento.

Reforço no controle japonês

O franco-libanês-brasileiro de 65 anos estava em prisão domiciliar em Tóquio. No entanto, ele estava livre para deixar sua casa e fazer viagens de menos de 72 horas por todo o país sem solicitar autorização judicial.

Além disso, os agentes de uma empresa privada, suspeitos de serem mandatados pela Nissan para segui-lo permanentemente, relaxaram um pouco a vigilância ultimamente, de acordo com uma fonte próxima à sua comitiva.

A ministra da Justiça japonesa Masako Mori lembrou nesta segunda-feira que havia ordenado que "fossem tomadas providências para que os controles de entrada e saída fossem reforçados" para que um caso tão embaraçoso não ocorresse novamente.

"Com relação ao sistema de vigilância de suspeitos libertados sob fiança, pedi que estudássemos rapidamente como modificá-lo. Vamos considerar vários meios, como rastreamento por GPS", acrescentou.

Advogados atacam Japão e França

Os advogados de Carlos Ghosn atacaram o sistema judiciário japonês e o governo francês nesta segunda-feira (6), a dois dias de uma coletiva de imprensa aguardada com expectativa pelo cliente, depois da sua fuga rocambolesca Japão.

Em um primeiro comunicado à imprensa, François Zimeray ataca o Japão de frente, que ele acredita que o sistema de justiça visa "destruir, não julgar".

"Vocês sabem que seu governo deliberadamente queria esmagar Ghosn. Diante de tal negação da justiça, qual é alternativa para quem se sabe inocente?", questiona o advogado, sobre a o sistema judiciário japonês.

"Vocês são o único responsável pela situação que criaram e que prejudica a imagem do Japão no mundo", acrescenta, atacando a justiça deste país "incapaz de organizar um julgamento justo", continua Zimeray.

Em um segundo comunicado à imprensa, Jean-Yves Le Borgne, outro advogado do ex-chefe da Renault e Nissan, desta vez ataca a França e, em particular, seu ministro da Economia, Bruno Le Maire.

"Bruno Le Maire tem curiosamente dito coisas desfavoráveis a Carlos Ghosn há meses. É para agradar os japoneses?", Le Borgne se pergunta. "É para dominar um grande chefe e, assim, seduzir a França dos coletes amarelos? O fato é que sua hostilidade constante não se baseia em nada", acrescenta o advogado.

"Carlos Ghosn está sujeito à justiça como os demais cidadãos franceses. Ele é acusado de um certo número de fatos. Ele deve respondê-los perante os tribunais", disse Bruno Le Maire na rádio France Inter nesta segunda-feira (6) pela manhã.

"Quando houve a suspeição de atos criminosos de Carlos Ghosn na Renault, pedi uma auditoria à Renault. Pedi à empresa para esclarecer isso. Há fatos que foram colocados. Levamos todos esses fatos à justiça e um processo foi aberto", afirmou o ministro.

(Com informações da AFP)

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