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China/ Suécia

Suécia convoca embaixador chinês e pede libertação do editor Gui Minhai

O editor sueco Gui Minhai condenado a dez anos de detenção na China.
O editor sueco Gui Minhai condenado a dez anos de detenção na China. Philippe LOPEZ / AFP
Texto por: RFI
3 min

O Ministério das Relações Exteriores da Suécia convocou o embaixador chinês em Estocolmo nesta terça-feira (25), solicitando à China a libertação do editor sueco de origem chinesa Gui Minhai, condenado a dez anos de prisão nesta segunda-feira (24).

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"Temos conhecimento das informações relativas à decisão contra Gui Minhai e solicitamos confirmação das autoridades chinesas. A esse respeito, o secretário de Estado do Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador chinês", anunciou Johan Ndisi, porta-voz do ministério.

"Reiteramos nossos pedidos de libertação de Gui Minhai e também de acesso consular a Gui”, continuou ele, sem revelar o conteúdo exato das discussões.

Livreiro e editor, Gui Minhai, 55, publicou livros sensacionalistas em Hong Kong sobre a vida privada de líderes chineses, proibidos na China continental. Um tribunal de Ningbo (leste da China), que pronunciou a sentença na segunda-feira, considerou Gui Minhai culpado de "disseminar ilegalmente no exterior informações proibidas", sem especificar a fonte das informações.

Gui "admitiu sua culpa, aceitou o veredicto e não recorrerá", afirmou o comunicado do tribunal. A justiça também garantiu que o editor reivindicou sua nacionalidade chinesa em 2018. No entanto, a China não reconhece dupla nacionalidade.

O Ministério das Relações Exteriores da Suécia destacou nesta terça-feira que a cidadania do país escandinavo "não poderia ser abandonada antes de exame e decisão" de uma agência governamental. "Gui Minhai é cidadão sueco", insistiu.

Relações tensas

Diversos líderes políticos suecos da direita e da esquerda exigiram a expulsão do diplomata chinês. "O embaixador deve ser declarado persona non grata (...). A Suécia deve agora ser clara com a China e exigir a liberação, acesso à assistência médica e apoio consular" para Gui Minhai, defendeu Hakan Svenneling, do Partido de Esquerda.

Já condenado em 2015 na China por um caso de direito comum, Gui Minhai desapareceu no mesmo ano como outros funcionários desta empresa durante férias na Tailândia. Ele então reapareceu em uma prisão chinesa, "confessando" na televisão que havia se rendido às autoridades por causa de seu envolvimento em um acidente rodoviário na China em 2003. Pessoas próximas ao editor denunciam perseguição de caráter político.

A detenção de Gui Minhai abalou gravemente as relações entre China e Suécia. Estocolmo denunciou, em fevereiro de 2018, a prisão "brutal" de Gui no trem onde os diplomatas suecos o acompanhavam, considerando-a "contrária às regras internacionais básicas sobre apoio consular".

Em novembro passado, a China expressou sua indignação quando o Ministro da Cultura sueco deu a Gui Minhai, mesmo ausente, um prêmio da associação de defesa dos escritores PEN. O embaixador chinês ameaçou Estocolmo com "medidas retaliatórias" e Pequim cancelou a visita à Suécia de duas importantes delegações de chefes chineses.

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