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O Mundo Agora

Epidemia de coronavírus acelera procura por novas tecnologias no mundo inteiro

Áudio 05:22
Um residente usa um drone para pulverizar desinfetante em uma vila em Pingdingshan, no centro da província de Henan, China, durante o surto do vírus na cidade de Wuhan, Hubei. 31/01/2020
Um residente usa um drone para pulverizar desinfetante em uma vila em Pingdingshan, no centro da província de Henan, China, durante o surto do vírus na cidade de Wuhan, Hubei. 31/01/2020 STR / AFP
Por: Alfredo Valladão
10 min

Além da angústia, o coronavírus é um pé no acelerador das novas tecnologias da informação. Epidemia global, resposta global. E são só essas tecnologias que têm esse tipo de alcance. A reação científica foi desde já impressionante. Graças à inteligência artificial, a sequência do genoma do vírus foi identificada em tempo recorde.

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Um laboratório chinês publicou imediatamente a pesquisa para o mundo inteiro e o Instituto Pasteur em Paris terminou o trabalho. Uma pequena startup americana, utilizando a mesma tecnologia, já anunciou a descoberta de uma vacina. Claro, ainda vai levar meses para testá-la nos seres humanos, mas a façanha nunca saiu tão rápida.

A plataforma chinesa Alibaba também comunicou a invenção de um sistema que reduz o diagnóstico a poucos minutos a partir de radiografias torácicas analisadas pela inteligência artificial. E desde de hoje, todos os médicos da França tem acesso a uma plataforma grátis para diagnosticar pacientes online – evitando portanto engarrafamentos perigosos de doentes nos hospitais.

E não para por aí. Diante do perigo de uma recessão econômica geral, empresas e governos tentam encontrar soluções que passam pela tecnologia. Com as cadeias logísticas afrouxando seriamente, pequenas e grandes empresas procuram um jeito de diversificar suas fontes de insumos.

A Europa descobriu estupefata que 80% de alguns remédios básicos são fabricados na China. Sem falar dos componentes eletrônicos ou da importância enorme dos viajantes chineses para as indústrias do turismo. É muita dependência.

Sobretudo quando uma crise paralisa a economia chinesa. Mas como diminuir a dependência sem intensificar a crise? Até agora, o segredo do crescimento econômico passava pela chamada “economia de escala”: séries cada vez maiores de produtos estandardizados para servir um número cada vez maior de consumidores.

Foi essa lógica que levou à criação das cadeias de valor globais. Um mundo onde todos dependem de todos. Só que esse modelo do final do século XX bateu na parede dos problemas ambientais, da saturação do número de consumidores solventes, e de um tipo de globalização produtiva interdependente, vulnerável a qualquer percalço. E o coronavírus é um baita tropeção.

Redes 5G, inteligência artificial, robótica, teletrabalho

Por enquanto, a procura de uma alternativa passa por uma nova forma de globalização. Trata-se de utilizar todas as novas tecnologias da informação – redes 5G, inteligência artificial, robótica, impressoras 3D, tele-trabalho – para criar um modelo mais robusto, bem mais produtivo e descentralizado.

Globalizar a logística e as cadeias de produção, já era. Hoje, o objetivo é montar redes de centros produtivos adaptados a cada mercado específico. A ideia é abandonar progressivamente as cadeias de produtos das fábricas globais, para criar cadeias de empresas locais interligadas pela Internet global.

Um sistema no qual o que viaja são as informações e a administração, e não as mercadorias.  Muito mais ágil, menos dependente de mão de obra barata e de cadeias logísticas – e muito mais rentável.

As técnicas de inteligência artificial já estão tendo um papel central nessa mudança de paradigma. As atividades humanas estão cada vez mais automatizadas. Os próprios políticos nacionais, ultrapassados por problemas globais que não sabem como resolver, apelam abertamente para o saber dos peritos e da ciência. A última moda é a tecnologia de reconhecimento facial que permite um controle jamais visto das populações. Algoritmos estão analisando os comportamentos sanitários, alimentares, ambientais – e até amorosos – e propondo mudanças radicais na vida das pessoas.

Na Noruega, o governo decidiu taxar violentamente tudo que contenha açúcar porque faz mal à saúde. Na China, a população é monitorada pelo Estado quase permanentemente. Mais angustiante ainda: muitos políticos e cidadãos no mundo acham que seria melhor confiar as decisões importantes para uma super-tecnologia de Inteligência Artificial, bem mais eficiente do que os dirigentes e instituições tradicionais. A pandemia de coronavírus está abrindo o caminho para o velho “Admirável Mundo Novo” agourado em 1932 por Aldous Huxley.

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