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Coronavírus

Prática de esporte e alimentação saudável ajuda sistema imunológico a combater coronavírus

Correr nos arredores de casa foi a maneira encontrada por muita gente para manter a forma durante o confinamento.
Correr nos arredores de casa foi a maneira encontrada por muita gente para manter a forma durante o confinamento. REUTERS/Aly Song
Texto por: Maria Paula Carvalho
5 min

No momento em que o mundo se depara com um vírus altamente contagioso e agressivo, como o covid-19, muita gente se pergunta sobre como se preparar para enfrentar tantas mudanças na rotina e, se possível, evitar a doença. Segundo especialistas ouvidos pela RFI, praticar atividades físicas pode melhorar a resposta imunológica do corpo humano. Além disso, o período de confinamento pode ser uma oportunidade para que as pessoas repensem seus hábitos alimentares e a relação entre a comida e as defesas do corpo.

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A literatura científica está repleta de artigos que relatam estudos sobre os benefícios dos exercícios para o reforço do sistema imunológico, havendo uma opinião praticamente consensual de que a atividade física moderada é a forma mais adequada para este propósito.

“À medida que nosso organismo melhora a sua atividade funcional, temos uma maior reserva imunológica e podemos tolerar mais o desgaste físico”, explica Daniela Hauila, ortopedista e traumatologista da medicina do esporte, que já atuou na seleção brasileira militar de futebol feminino. “Além disso, vai melhorar quadros de ansiedade e depressão”, acrescenta.

Mesmo se o exercício físico não é vacina para nenhuma doença, o fortalecimento do sistema imunológico proporciona uma resposta mais rápida e eficaz do organismo contra qualquer quadro de infecção. Por isso, apesar do fechamento de ginásios e piscinas em razão da epidemia, o governo francês deixou aberta a possibilidade de que a população pratique esportes individuais ao ar livre. Essa é uma das cinco razões pelas quais os franceses estão autorizados a sair de casa, além de fazer compras de alimentos e remédios, passear com o cachorro, ir ao médico ou trabalhar.

A explicação é que o mecanismo da melhora da defesa está associado a um efeito da atividade física regular em promover um aumento dos linfócitos, atuantes no sistema inato e que têm como função destruir células infectadas por vírus.

“A atividade física é recomendada, mas não em ambiente fechado. Pode ser uma corrida na rua, de preferência com máscara, evitando tocar em móveis urbanos e sempre lavando muito bem as mãos depois”, ensina Hauila. “Para quem prefere ficar dentro de casa, alguns personal trainers estão disponibilizando plataformas de exercícios para serem seguidas nesse tempo de isolamento’”, sugere.

Moderação é a palavra de ordem

Contudo, para quem não está acostumado a suar a camisa, o período de confinamento não é o mais indicado para começar nenhuma atividade pesada. Para fortalecer o sistema imunológico, os exercícios precisam ser realizados de maneira moderada. Atividades de alta intensidade podem ter resultado inverso no organismo.

“Todo o exercício físico moderado, como uma caminhada, alongamento ou corrida, para quem está acostumado, é saudável. Porém, atividades para aumentar a massa muscular, ou que provoquem dores no corpo, devem ser evitadas, especialmente pelos iniciantes, pois podem diminuir o sistema imunológico”, alerta a nutricionista clínica Vânia Barberan. “Se ficou dolorido, é porque inflamou o músculo e o corpo tem que tratar dessa inflamação, usando o sistema imunológico para isso. Não é hora de você se expor e sim de se resguardar”, alerta.

Alimentação é a chave do bem-estar

Membro do conselho regional de nutricionistas do Rio de Janeiro, Vânia Barberan vive atualmente em Barcelona, na Espanha, país altamente impactado pela epidemia de coronavírus. Ela explica que não adianta recorrer a alimentos saudáveis apenas agora, no auge da crise.

“Teoricamente, a alimentação está envolvida num processo contínuo e longo. Nós precisamos dos nutrientes necessários sempre. Não adianta comer uma laranja e achar que vai estar protegido. Talvez essa doença nos permita repensar sobre a cozinha, pois, em quarentena, todo mundo tem de cozinhar”, observa.

A especialista aponta alguns hábitos que são importantes nessa hora. Em primeiro lugar, vem a hidratação. “Quanto mais água uma pessoa bebe, melhor é o funcionamento do corpo”, explica. “É como uma máquina que não recebe lubrificante”, compara, afirmando que a água ajuda o intestino a trabalhar diariamente, favorece a circulação sanguínea e a distribuição dos minerais no corpo.

Vânia ensina que a medida certa é multiplicar o peso do corpo por 0,35 ml. Ou seja, “uma pessoa de 60 quilos deveria beber 2,1 litros”, afirma. “Para saber se você está bebendo água o suficiente, basta ficar atento à cor da urina, que deve ser clara se o corpo e os rins estão funcionando bem”.

O segundo ponto seria a exposição ao sol para a produção de vitamina D. “Todo mundo deveria aproveitar a quarentena e colocar braços e pernas no sol, pela janela, de 10 a 15 minutos por dia. Sem protetor solar, mas não no horário de pico”, diz, já que a vitamina D está diretamente relacionada ao sistema imunológico.

Em terceiro lugar, vem a escolha dos alimentos. Barberan destaca a importância de cozinhar em casa com temperos e ervas. “Não adianta ficar em quarentena comendo só produtos industrializados. Alho, cebola, tomate, hortelã, isso tudo tem vitaminas e minerais, micronutrientes que estão ligados ao sistema imunológico”, afirma.

De acordo com a nutricionista, zinco, magnésio e cálcio são alguns dos minerais imprescindíveis para a absorção de proteínas, por exemplo. “Esse é um momento de moderação e de respeitar os seus valores primários. O ideal é comer frutas, verduras e legumes frescos ou em conserva e aproveitar a pausa para refletir sobre como queremos envelhecer”, conclui.

O nutricionista Rafael Brasília concorda que o período de confinamento não combina com dietas radicais. “Evite deficiência de proteínas, calorias, vitaminas e minerais”, diz. “Alimentos ricos em probióticos são altamente recomendáveis, além de horas regulares de sono e evitar o consumo excessivo de álcool”, completa.

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