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Japão prevê estado de emergência e lança pacote bilionário contra coronavírus

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, conversa com jornalistas sobre a estratégia do governo para combater a epidemia do coronavírus, nesta segunda-feira, em Tóquio.
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, conversa com jornalistas sobre a estratégia do governo para combater a epidemia do coronavírus, nesta segunda-feira, em Tóquio. REUTERS - ISSEI KATO
Texto por: RFI
4 min

O governo do Japão prevê decretar estado de emergência a partir desta terça-feira (7), depois de constatar um aumento das infecções provocadas pelo coronavírus. A medida deve atingir seis províncias do arquipélago japonês, incluindo as regiões metropolitanas de Tóquio e Osaka. O primeiro-ministro Shinzo Abe também propôs um pacote de ajuda de quase US$ 1 trilhão para combater os efeitos da pandemia sobre a economia japonesa.

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A ocorrência de novos casos de contaminação da Covid-19 levou o primeiro-ministro a consultar a equipe de especialistas que assessora o governo em sua estratégia de luta contra a doença. "Estamos vendo um rápido aumento de novas infecções, em particular em áreas urbanas como Tóquio e Osaka", afirmou Abe.

Estas duas grandes cidades e outros cinco municípios estariam incluídos no estado de emergência, que dará poder aos governadores para pedir às pessoas que permaneçam em casa, fechar estabelecimentos comerciais que atraem muitos clientes e reservar terrenos e edifícios para atendimento médico. As medidas, no entanto, serão menos restritivas que em alguns países da Europa, que aplicam o confinamento rigoroso e multas para quem não cumpre os decretos em vigor.

"Prevemos, durante um período de aproximadamente um mês, pedir uma cooperação maior do povo japonês para reduzir os contatos pessoais que conduzem a infecções", disse Abe. "No Japão, mesmo se declararmos estado de emergência, não paralisaremos cidades como se observa em outros países. Os especialistas nos afirmaram que não há necessidade de dar um passo assim", completou Abe.

Preocupação com Tóquio

Apesar de ser vizinho da China, berço do novo coronavírus, o Japão foi muito menos afetado pela pandemia da Covid-19 que a Europa ou os Estados Unidos. O balanço mais recente do país registra 3.650 casos e 73 mortes. Mas o número de contágios aumentou consideravelmente nas últimas duas semanas, principalmente em Tóquio, que registrou 148 novos casos da infecção viral no domingo, um novo recorde local. A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, pediu no fim de semana à população que adote o teletrabalho e evite as saídas não indispensáveis.

"Até agora não recebemos nada oficial, mas nos preparamos, partindo do princípio de que Tóquio estará entre as regiões incluídas no estado de emergência", declarou Koike nesta segunda-feira (6). As autoridades estão preocupadas com as instalações médicas na capital, e os profissionais da área da saúde afirmam que a situação é cada vez mais tensa. "Do ponto de vista médico, Tóquio enfrenta um quadro crítico", disse Haruo Ozaki, diretor da Associação Médica da capital japonesa.

Plano de apoio à economia

Quanto ao plano de resgate econômico anunciado por Abe, o pacote deve representar 20% do PIB, "uma escala sem precedentes", segundo o primeiro-ministro. Uma parte dos recursos será destinada às famílias; outra parcela às empresas, que poderão adiar o recolhimento de impostos durante o período de redução da atividade.

Apesar de ter a maior dívida pública acumulada dentre os países avançados, e de ser a terceira maior economia do planeta, o Japão decidiu ampliar seu endividamento para diminuir os efeitos da recessão, considerada por especialistas como a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial. Tanto os Estados Unidos quanto países da União Europeia anunciaram pacotes de montantes colossais para enfrentar os estragos econômicos provocados pela pandemia da Covid-19. Outros países fizeram o mesmo, em menor escala e de acordo com suas possibilidades financeiras.

Apesar do anúncio de Abe, Naoya Oshikubo, economista da SuMi TRUST, considera que o plano de apoio não será suficiente para evitar uma recessão no Japão no primeiro semestre de 2020. "Mas ajudará a colocar em prática uma recuperação em forma de V no segundo semestre", opinou.

Com informações das agências internacionais

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