Check news: Facebook reforça combate à desinformação devido à pandemia de Covid-19

O Facebook resolveu redobrar seus esforços ao perceber que muitas fake news sobre o coronavírus vinham ganhando espaço na plataforma.
O Facebook resolveu redobrar seus esforços ao perceber que muitas fake news sobre o coronavírus vinham ganhando espaço na plataforma. AFP/File

Diante da pressão com o aumento da desinformação sobre o coronavírus, o Facebook resolveu reforçar seu dispositivo de alerta contra as "fake news". A decisão se baseia em uma constatação: a ineficácia das medidas adotadas até o momento.

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O fenômeno não é novo: o trabalho dos jornalistas de detectar uma "fake news" e desmenti-la nem sempre impede que ela continue circulando. Assustada com os efeitos perigosos da desinformação durante a epidemia de Covid-19, a ONG Avaaz compilou uma grande quantidade de casos que escaparam da vigilância do Facebook. A iniciativa levou a plataforma criada pelo americano Mark Zuckerberg a se engajar para evitar que mentiras continuassem sendo propagadas na mesma velocidade da doença.

Falsos remédios, teorias da conspiração e até mesmo racistas: a multiplicação de "fake news" ganhou amplitude em tempos de coronavírus e de uma maneira perigosa, capaz de incitar as pessoas a se recusarem a contribuir para frear a pandemia, colocando suas próprias vidas em risco. Na análise da desinformação em seis línguas, a Avaaz percebeu, por exemplo, que o Facebook fracassou em impedir a disseminação de postagens mentirosas em espanhol, português e italiano, deixando escapar algumas em árabe, francês e inglês. Uma falha ligada aparentemente à reciclagem de posts com pequenas modificações e relacionada também à lentidão da plataforma para reagir e impedir essas publicações de continuarem circulando.

Funcionamento do novo mecanismo

Como o Facebook pretende corrigir esse erro? Agora, desde que alguém reagir ou compartilhar uma publicação mentirosa, como por exemplo, os "efeitos miraculosos do chá de alho contra a Covid-19", o Facebook vai avisar o usuário de que se trata de uma "fake news". Também vai propor aos internautas de conferir explicações sobre o post em questão com os "fact checkers" – jornalistas que conferem a veracidade e decifram o conteúdo.

Parte desse mecanismo já era utilizado, mas, anteriormente, o usuário não tinha acesso à informação correta após o alerta sobre uma "fake news". Atualmente, ao invés de deixar o usuário na ignorância, o Facebook o avisará que a verificação do conteúdo está à sua disposição, com o objetivo de que as pessoas também tenham acesso a esclarecimentos.

Será que vai dar certo?

Só o tempo poderá dizer se o novo método adotado pela plataforma será efetivo. Sobretudo porque o novo sistema se baseia nos "fact checkers", ou seja, jornalistas do mundo inteiro que se dedicam a esse trabalho de verificação e decifragem. Nada impedirá, no entanto, que as "fake news" filtradas pelo Facebook continuem a circular em outras plataformas, como o WhatsApp, por exemplo, onde teorias conspiracionistas são propagadas sem nenhuma cautela. Até porque nesse meio de grupos privados de mensagens, a informação correta parece não interessar muito aos usuários.

Encontrar soluções para a desinformação é algo que interessa e continua a instigar a Avaaz, especialmente durante campanhas eleitorais. As conclusões da ONG mostram que o trabalho de verificação e publicação de esclarecimentos sobre posts mentirosos têm uma verdadeira influência quando chegam ao público-alvo, disposto a absorver notícias verdadeiras. Isso justifica a pressão exercida sobre o Facebook para que a plataforma avise seus usuários quando eles tiverem acesso a uma "fake news", que possa ser detectada e esclarecida.

*** A jornalista Sophie Malibeaux é autora da crônica "Les Dessous de L'Infox", que vai ao ar todas as semanas na rfi.fr.

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